Bordado litúrgico é tema de exposição em Museu de Diocese espanhola

Igreja

Como uma mostra do que foi apresentado como “uma das parcelas mais inexploradas e menos conhecidas da história das artes aplicadas”, o Museu Diocesano de Zamora, Espanha, apresentou no dia 03 de janeiro sua mais recente exposição temporal, dedicada ao bordado erudito de tipo litúrgico. Até o mês de junho, os visitantes do museu poderão apreciar 13 casulas ricamente bordadas elaboradas entre o século XV e o século XVII.

“Para a Igreja Católica, os ornamentos com os quais se cobrem os ministros ordenados cumprem diversas funções: respondem ao caráter sagrado e festivo das celebrações; contribuem à seu esplendor, solenidade, dignidade e decoro; manifestam a diversidade ministerial, e expressam tanto as características dos mistérios da Fé que se celebram como o sentido progressivo da vida cristã no porvir do ano litúrgico”, recordou a Diocese de Zamora na apresentação da exposição. Entre os diferentes ornamentos, destacou o papel da casula, “prenda própria dos sacerdotes -sejam Bispos ou sacerdotes-, que se coloca por cima da alva e a estola, e se emprega durante a celebração eucarística e as ações sagradas diretamente relacionadas com ela”. Nas casulas se aprecia o avançado desenvolvimento da arte do bordado que nesses séculos contava com oficinas especializadas onde os mestres bordadores supervisionavam a elaboração de capas pluviais, casulas, dalmáticas, frontais, mangas de cruzes, estandartes e outras peças postas à serviço da liturgia.

“Empregavam diversas técnicas, como o bordado sobreposto, o de aplicação e o bordado ao passado, e diversos tipos de pontos, como os de sedas, de ouro, e de ouro e seda”, acrescentou a Diocese. “Com este complexo trabalho manual se tentava imitar os efeitos de volume, profundidade, gradação cromática e claro-escuro, próprios da pintura”, expôs a apresentação. As casulas apresentavam imagens de Deus Pai, Cristo, a Santíssima Virgem e diversidade de Santos, complementadas por elementos ornamentais característicos de cada época.

“São poucos os ornamentos com bordados que chegaram até nós, pois a fragilidade dos materiais, a deterioração por seu uso continuado, e a mudança de gosto estético, entre outras razões, propiciaram seu desaparecimento. A Diocese de Zamora conserva várias casulas confeccionadas entre os séculos XV e XVII, época de seu maior esplendor, das quais se expõem uma pequena mostra para proveito dos visitantes”. (EPC)

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