Como a Razão prova a Existência de Deus

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São Tomás de Aquino nos deu 5 vias para chegar à Deus pela razão. E esta é uma das belezas do Catolicismo: chegar à fé pela razão , que por fim, se unem e comprovam que nunca houve, na Cosmovisão Católica, uma separação entre elas. É natural que nos perguntemos e duvidemos do que é raso em questões metafísicas e existenciais. Muitos amam e vivem apelas pelo sensorial, mas temos também o suporte da razão e da inteligência, que, unidos à fé nos levam a patamares ainda mais avançados na compreensão de Deus e da nossa existência.

A razão, por si mesma, em sua mais elevada potência, pode provar a existência de Deus.

Para que possamos demonstrar esta capacidade excelsa da razão, vamos lançar mão a um resumo das 5 vias tomistas, com comentários do Professor e escritor Orlando Fedeli:

1ª. Via: A Prova do Movimento: “Pois mover não é senão levar alguma coisa da potência ao ato; assim, o cálido atual, como o fogo, torna a madeira, cálido potencial, em cálido atual e dessa maneira, a move e altera.”

A 1ª. Via demonstra que há movimento e mudança em tudo. E demonstra também que tudo o que existe, existe em ato e tudo o que pode derivar do que existe, chama-se potência. Por isso, temos potência para crescer, mudar, estudar, aprender línguas, alterar a cor e a forma dos objetos. Como nos ilustra o professor Orlando Fedeli: “Há mudanças substanciais. Ex.: madeira que vira carvão. Há mudanças acidentais. Ex: parede branca que é pintada de verde. Há mudanças quantitativas. Ex: a água de um pires diminuindo por evaporação. Há mudanças locais. Ex: Pedro vai ao Rio.” E complementa: “As perfeições que podem vir a existir num sujeito são existentes em Potência passiva. Assim, uma parede branca tem brancura em Ato, mas tem cor vermelha em Potência. Mudança ou movimento é pois a passagem de potência de uma perfeição qualquer (x) para a posse daquela perfeição em Ato.” Mais um exemplo: Assim, a panela pode ser aquecida. Mas não se aquece sozinha. Para aquecer-se, ela precisa receber o calor de outro ser – o fogo – que tenha calor em Ato.”

Quando São Tomás diz que “não é possível uma coisa estar em ato e potência, no mesmo ponto de vista” ele quer dizer, por exemplo, que uma panela quente está em ato de calor e não pode estar em potência, pois esta potência para esquentar já foi realizada pelo fogo. 

A 1ª. Via é encerrada com a seguinte afirmação tomista: “É necessário chegar a um primeiro motor, de nenhum outro movido, ao qual todos dão o nome de Deus”. Ou seja, a primeira causa existe em Ato puro, pois não pode ser movido por algo anterior. 

A 2ª. Via é a Prova da Causalidade Eficiente: Não é possível que uma coisa seja causa eficiente de si própria, pois seria anterior a si mesma; o que não pode ser.”

Nos diz o professor Orlando Fedeli que “Deus é a causa das causas não causada. Esta prova foi descoberta por Sócrates que morreu dizendo: “Causa das causas, tem pena de mim”. A negação da Causa primeira leva à ciência materialista a contradizer a si mesma, pois ela concede que tudo tem causa, mas nega que haja uma causa do universo.”  

“Logo”, nos diz São Tomás – “é necessário admitir uma causa eficiente primeira, à qual todos dão o nome de Deus.”

A 3ª. Via é a Prova da Contingência: Nos afirma São Tomás: “Vemos que certas coisas podem ser e não ser, podendo ser geradas e corrompidas. Ora, impossível é existirem sempre todos os seres de tal natureza, pois o que pode não ser, algum tempo não foi.” 

Vamos compreender melhor isso com uma citação do professor Orlando Fedeli: “Na natureza, há coisas que podem existir ou não existir. Há seres que se produzem e seres que se destroem. Estes seres, portanto, começam a existir ou deixam de existir. Os entes que têm possibilidade de existir ou de não existir são chamados de entes contingentes. Neles, a existência é distinta da sua essência, assim o ato é distinto da potência. Ora, entes que têm a possibilidade de não existir, de não ser, houve tempo em que não existiam, pois é impossível que tenham sempre existido.” 

Por nós, arremata São Tomás de Aquino: “É forçoso admitir um ser por si necessário, não tendo de fora a causa da sua necessidade, antes, sendo a causa da necessidade dos outros; e a tal ser, todos chamam Deus.”

A 4ª. Via é a Prova dos Graus de Perfeição dos Entes: Nos explica o filósofo São Tomás: que “A quarta via procede dos graus que se encontram nas coisas. — Assim, nelas se encontram em proporção maior e menor o bem, a verdade, a nobreza e outros atributos semelhantes.”

Orlando Fedeli escreveu que: “Vemos que nos entes, uns são melhores, mais nobres, mais verdadeiros ou mais belos que outros. Constatamos que os entes possuem qualidades em graus diversos.” Porque só se pode dizer que alguma coisa é mais que outra, com relação a certa perfeição, conforme sua maior proximidade, participação ou semelhança com o máximo dessa perfeição.

Portanto, tem que existir a Verdade absoluta, a Beleza absoluta, o Bem absoluto, a Nobreza absoluta, etc. Todas essas perfeições em grau máximo e absoluto coincidem em um único ser, porque, conforme diz Aristóteles, a Verdade máxima é a máxima entidade. O Bem máximo é também o ente máximo.”

Finaliza sobre esta verdade São Tomás em sua 4ª. Via: “Logo, há um ser, causa do ser, e da bondade, e de qualquer perfeição em tudo quanto existe, e chama-se Deus.”

A 5ª. Via é a Prova da Existência de Deus pelo Governo do Mundo: “Vemos que algumas coisas, como os corpos naturais, que carecem de conhecimento, operam em vista de um fim; o que se conclui de operarem sempre ou freqüentemente do mesmo modo, para conseguirem o que é ótimo; donde resulta que chegam ao fim, não pelo acaso, mas pela intenção.”

O professor Orlando Fedeli nos dá exemplos: “Verificamos que os entes irracionais obram sempre com um fim. Comprova-se isto observando que sempre, ou quase sempre, agem da mesma maneira para conseguir o que mais lhes convém.

Daí se compreende que eles não buscam o seu fim agindo por acaso, mas sim intencionalmente. Aquilo que não possui conhecimento só tende a um fim se é dirigido por alguém que entende e conhece. Por exemplo, uma flecha não pode por si buscar o alvo. Ela tem que ser dirigida para o alvo pelo arqueiro.” No entanto, o movimento inverso seria absurdo, pois não haveria intenção no ato.

Assim confirma São Tomás: “Logo, há um ser inteligente, pelo qual todas as coisas naturais se ordenam ao fim, e a que chamamos Deus.”

Para provar aos católicos não-praticantes e àqueles que têm dúvidas da Cosmovisão Católica como sendo aquela que une fé e razão, replico trecho abaixo do capítulo I, chamado “O Homem é Capaz de Deus”, da primeira Seção “Eu Creio, Nós Cremos”, da Primeira Parte, A Profissão de Fé, do Catecismo da Igreja Católica, que diz, em seu parágrafo 36: «A Santa Igreja, nossa Mãe, atesta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido, com certeza, pela luz natural da razão humana, a partir das coisas criadas» (12). Sem esta capacidade, o homem não poderia acolher a revelação de Deus. O homem tem esta capacidade porque foi criado «à imagem de Deus» (Gn 1, 27). 

Portanto, este ordenamento natural, evidente nas coisas intencionais ou não, que existe em Ato puro, de onde partem as potências do universo, sendo, logo, a causa das causas, demonstradas estão nas 5 vias que a razão dispõem para conhecer a Deus.

Gustavo Gonçalves