COVID-19: A difícil missão de uma funerária católica de Nova Iorque: não negar lugar a ninguém

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Clive Anderson é um católico natural da Irlanda e proprietário da Funerária Pellham em Nova York. Com a atual pandemia de coronavírus, seu trabalho cresceu exponencialmente e o grande número de mortos tornou-se uma dura missão que enfrenta com muita fé, porque “nunca dizemos não a ninguém”.

“Minha filosofia é que eu nunca digo não. Nós nunca dizemos não a ninguém e eu não posso dizer não. Como dizer não a alguém que perdeu um ser querido, seu filho, seu avô? É desumano dizer não”, comenta Clive em entrevista concedida a EWTN News Nightly.

Anderson relata que agora, na cidade de Nova York, há aproximadamente 700 mortos por dia. Essa situação se agrava, considerando que não pode haver Missas de exéquias nem cerimônias religiosas e, além disso, as famílias devem se conformar com uma despedida rápida nas funerárias para ir logo para o cemitério, onde agora costuma ter uma fila de carros fúnebres esperando a sua vez.

Por outro lado, os necrotérios e os hospitais estão cheios e muitos corpos estão em caminhões frigoríficos. Além disso, os crematórios não estão dando conta e leva mais de um mês e meio para programar uma cremação, quando em condições normais era coordenado em 24 horas.

Dos mais de 34 mil mortos no país, o Estado de Nova York tem mais de 16 mil.

“Isso é mil vezes pior do que esperava. Nunca, nem nos meus piores sonhos eu imaginei ver algo como isso” e “nunca vi algo assim e espero não voltar a ver de novo”, disse Anderson a EWTN.

“Em 1º de abril, tive meu primeiro caso de COVID-19. E disse a mim mesmo: ‘Isso realmente não vai me afetar tanto’. Eu tenho uma pequena funerária nos subúrbios da cidade de Nova York. Mas, desde então, as portas abriram e isso não parou”.

“Neste momento, no ano passado, realizávamos cerca de três funerais por mês. Agora, tivemos 40 funerais nos últimos 13 dias, quase metade do nosso volume anual”, explicou.

Clive Anderson disse que “recebemos telefonemas de pessoas que já ligaram para outras funerárias. Recebemos cerca de 40 ligações por dia. Uma pessoa que telefonou outro dia contou que falaram para ela em outra funerária que a próxima data disponível era 30 de maio”.

Quando perguntado sobre como enfrenta esta crise e a grande quantidade de trabalho nestes dias, Anderson disse que recebe “muita energia de ajudar as pessoas e muita força da minha fé. Fé é tudo que tenho. Estamos aqui por uma razão”.

“Na vida, temos um propósito, e vejo o meu propósito aqui. Vejo nisso a razão pela qual Deus me colocou aqui. Quando perdemos as coisas importantes na vida ou aquilo que gostamos, começamos a valorizá-las mais”.

“Eu acho que Deus vai nos tirar disso. Não vai nos deixar sozinhos. Não está se esquecendo de nós. Ele nos conduzirá através disso, nós vamos superá-lo”, concluiu.

Clive Anderson nasceu na Irlanda. É o mais velho de quatro irmãos. Começou nas funerárias há mais de 15 anos. Sobre o seu trabalho, comenta que não é um “trabalho”, mas um chamado a servir os outros em tempos de necessidade, assinala no site de sua funerária.

Quando tinha 12 anos seu pai foi diagnosticado com câncer. Sua perda algum tempo depois o incentivou a dedicar-se a este campo e, em fevereiro de 2014, comprou a Pelham Funeral Home que dirige agora.

Anderson foi incluído no “40 sob 40” da revista Irish Eco por sua contribuição à comunidade irlandesa.

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.