Cruzada Amazônica; a Cristandade contra o Mundo

Artigos/Opinião

We’re marching, we’re marching to a land far from home No-one can say who’ll return For Christendom’s sake, we’ll take our revenge On the pagan from out of the East.” Saxon

Quando, meses atrás, o Cardeal Raymond Leo Burke e o Bispo Athanasius Schneider convocaram uma Cruzada de oração pelo Sínodo Pan-Amazônico, eles não poderiam estar mais corretos. Pode-se dizer que nunca houve momento tão acertado para uma Cruzada no ocidente desde os cátaros.

Mas para entender porque se faz necessária esta Cruzada espiritual, devemos responder a seguinte pergunta: afinal, o que faz necessário uma Cruzada?

Resumidamente, é possível encontrar em comum a todas as convocações para Cruzadas a seguinte premissa: a peregrinação a uma determinada região, com o objetivo de defender a Cristandade e resguardar os fiéis contra um declarado inimigo e agressor da Igreja, usando sempre de meios proporcionais de defesa.

Como exemplo muito próximo do cenário atual, podemos citar a Cruzada Albigense, que reuniu diversos fiéis em uma peregrinação missionária para a região de Languedoc em defesa da Vera Fé e para dar um fim ao morticínio exercido pelos hereges cátaros, que, como explicava o professor Orlando Fedeli, defendiam que “a matéria teria sido criada pelo deus do mal, para aprisionar nela o espírito do Deus bom.” Logo, justificava-se para eles o suicídio, o aborto e até o assassinato em geral para “libertar o espírito da matéria”, matéria esta que era por eles desprezada em qualquer tipo de culto, chegando ao ponto de invadirem igrejas para roubar o sacrário e dar o Santíssimo aos porcos, pois ele seria “apenas matéria”. 

Os tais “puros” (do grego katharós) eram na verdade tão imundos quanto esses porcos.

No fim das contas, os hereges – que a esse ponto já haviam estabelecido um cisma em grande parte do sul da França – tiveram sua queda, combatidos pelos cruzados e pelos próprios camponeses, que eram fiéis à Igreja de Cristo.

Ora, o leitor agora deve estar se perguntando: o que diabos tem a ver a Cruzada Albigense com a cruzada de oração convocada pelo Cardeal Burke e pelo Bispo Athanasius? Respondo-lhe já de antemão: tudo e nada. Em verdade o que temos no cenário atual é o total inverso do exemplo citado, mas com idêntica ou até maior gravidade.  

Ou seja, o Indigenismo pregado por todo o Sínodo, com todos seus abusos e profanações, não passa de, por assim dizer, um Catarismo às avessas: enquanto os Cátaros exaltavam um deus bom transcendental em oposição a um deus mal da matéria, o Indigenismo escamoteia o deus metafisico, julgando-o ultrapassado e opressor, e louva o deus meramente físico, a Pachamama ou “Mãe Terra”. No fim das contas, enquanto os hereges albigenses atacavam a igreja visível, causando a morte física dos fiéis, os neopagãos “amazônicos” (em verdade, tão amazônicos quanto os primeiros) atacam diretamente no Corpo Místico, negando até mesmo o dogma de que fora da igreja não há salvação, e decretando, portanto, a morte da alma.

É então cada vez mais patente a urgência de uma nova cruzada em defesa da Vera Fé; mas enquanto os cruzados albigenses enfrentavam seus inimigos a cavalo, protegidos por pesadas armaduras e armados com espadas e escudos rumo aos campos de batalha, nós, os cruzados modernos, devemos enfrentar o inimigo de joelhos, protegidos pela Fé e armados com nossos rosários em nossas catedrais, na capela mais próxima ou mesmo em nossas casas. 

No presente momento, vivemos talvez a mais difícil das cruzadas: a cruzada espiritual. Mas não tema, nobre cavaleiro, pois sobre a Santa Cruz venceremos sempre! In hoc signo vinces!

Por: Kim Shüler