Do dia de todos os Santos

Artigos/Opinião

Hoje comemoramos a Festa de todos os Santos (Omnium Sanctorum). Dia 1º de novembro.

Há uma equivocada interpretação por algumas pessoas sobre a relação de nós Católicos com os Santos. Não entrarei no assunto idolatria, por ser um assunto ultrapassado e comezinho para aqueles que buscam a Verdade com boa-fé.

Falarei da importância de tal dia para mim como fiel. Evidenciarei que toda qualidade que vejo nos Santos, são o reflexo da Luz do próprio Cristo.

Precipuamente observo que não citarei a Virgem Santíssima, por ela estar em um degrau acima dos Santos. Ela gerou o Corpo de Cristo, Nosso Salvador, “Caro salutis est cardo (A carne é o eixo da Salvação)”. A sua importância e beleza são tão evidentes que nada que eu disser será adequado. 

Aos que tem dificuldade de acreditar na santidade por conhecer os defeitos dos homens, devem buscar a voz do Salvador. Atentemo-nos ao Catecismo da Igreja Católica CIC, n. 2813: 

“Na água do Batismo ‘fostes lavados, fostes santificados, fostes justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espirito de Deus’ (1Cor 6,11). Durante toda nossa vida, nosso Pai ‘não nos chamou para a impureza, mas para a santidade’ (1Ts 4,7) e porque ‘é graças a ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santificação e libertação’ (1 Cor 1,30), contribui para sua glória e para nossa vida o fato de seu nome ser santificado em nós e por nós. (…) ‘Quem poderia santificar a Deus, já que é Ele mesmo quem santifica? Mas, nos inspirando nesta palavra: ‘Santificai-vos e sede santos, porque eu sou santo’ (Lv 11,44), nós pedidos que, santificados pelo Batismo, perseveremos naquilo que começamos a ser”.

Sobre a Comunhão dos Santos, Apocalipse 7, 9-10:

O triunfo dos eleitos no céu: Depois disso, eis que vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé diante do trono e diante do Cordeiro, trajados com vestes brancas e com palmas na mão. E, em alta voz, proclamavam: ‘A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro!’”. 

Falarei de todos os Santos que de alguma forma me foram exemplo e que mudaram minha vida de alguma forma. 

São José: Primeiro entre todos os Santos. Me foi exemplo de como amar e proteger minha família, buscando ser sempre um homem justo, trabalhador e honesto.

Santo Agostinho: seu grande amor e paixão por Cristo, são um exemplo de persistência na conversão: “Que não seja eu minha própria vida! Vivi mal por minha culpa, e fui a causa de minha morte. Em ti eu revivo!”. Confissões, pag. 367

 “Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! E, no entanto, estavas dentro de mim, e eu fora, a te procurar! Minha feiura se lançava sobre toda a beleza que criaste. Estavas comigo, e eu longe de ti. (…) Tu me chamaste, gritaste por mim, e venceste minha surdez. Brilhastes, e teu esplendor pôs em fuga minha cegueira. Exalaste teu perfume, respirei-o, e agora suspiro por ti. Eu te saboreei, e agora sinto fome e sede. Tocaste-me, e o desejo de tua paz me inflama. Confissões, pag. 302.

Santo Antônio, é exemplo de humildade e resignação. Tão confiante na Sagrada Eucaristia, que conseguiu fazer um animal irracional faminto se curvar frente à Jesus Eucarístico, ao invés de se alimentar.

São Josemaria Escrivá, me mostrou a beleza do Sacerdócio, e a reprovabilidade daqueles que caem no Respeito Humano, adorando mais o mundo que a Igreja. Também nos presenteia com belíssimas reflexões no seu livro Via Sacra.

O grande Doutor Angélico, Santo Tomás de Aquino, me mostrou que a Fé não deve ser cega. Inobstante às dificuldades oriundas do pecado original, podemos encontrar Cristo com o uso da Razão. 

São Tiago, primeiro a ser martirizado. É um grande exemplo de que devemos defender à Santa Igreja, ainda que isto nos custe esta vida presente. 

A bela devoção por ele em Compostela, e a vitória com seu auxilio na Batalha de Clavijo (844 d.C) contra a exigência dos mulçumanos pelo “tributo das 100 donzelas”, atribuíram à ele a devoção de Santiago Mata-Mouros (há um belo hino em sua homenagem chamado “Dum Pater Famílias”: “O beate Iacobe, virtus nostra vere, nobis hostes remove, tuos ac tuere.

 São Luís Maria Grignion de Montfort: Exemplo de como amar a Virgem Santíssima, presenteando-a sempre com as belas rosas oriundas do Rosário.

São Miguel Arcanjo: Ensina-nos a não duvidar. Ele não duvidou de Deus. Inobstante o fato dele ser um anjo de menor escalão, se comparado com lucifer, na revolta dos anjos ele se manteve fiel com as palavras: Quem como Deus? (Quis ut Deus).

São Francisco de Assis: Nos ensina como dar tudo por Cristo e contemplar a beleza de sua Criação. Próximo à sua morte, ele teve os olhos cauterizados por uma infecção. Mesmo doente, com os olhos queimados com brasas, cego, ele compôs o belo Cântico das Criaturas.

São João da Cruz: Qual era açoitado sem merecer durante a clausura, persistiu na fé, alcançando a sétima morada. É grande exemplo de como a dor e sofrimento (penitência) são importantes para o Católico.

São Padre Pio: Um amor incomensurável por Cristo e pela Igreja, é exemplo de como é possível suportar tudo, por Nosso Senhor.

Santa Teresinha de Lisieux (Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face): me ensinou que é possível nos doar à Cristo, inobstante as nossas fraquezas ou dificuldades.

Santa Teresa D’Avila e Santa Joana D’Arc: são um grande e brilhante exemplo das virtudes, da força e beleza da Mulher.

Santo Cura D’Ars: Que com sua humildade, grande vontade, com jejum, penitência e oração conseguiu converter toda a cidade de Ars. 

É grande exemplo da beleza do Sacramento da Penitência, tão banalizada hoje em dia (inclusive há um texto, aqui no Observatório Católico chamado: “Confesse-se Hoje”).

São Francisco de Sales: com sua bela inteligência dá-nos como ensinamento, a importância de se ter um Diretor Espiritual e buscar a Santidade, com conselhos precisos daqueles que já possuem mais experiencia que nós.

Santo Inácio de Loyola: Fundador da companhia de Jesus (Jesuítas), ensina-nos à persistir, independentemente da situação difícil que passamos, com a certeza de que tudo é para nosso bem e que somente nos importa a nossa salvação. No livro Exercícios Espirituais, páginas 28/29: 

“O homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus Nosso Senhor, e assim salvar a sua alma. E as outras coisas sobre a face da terra são criadas para o homem. Donde se segue que há de usar delas tanto quanto o ajudem a atingir o seu fim, e há de privar-se delas tanto quanto dele o afastem. (…) De tal maneira que, da nossa parte, não queiramos mais saúde que doença, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que vida breve, e assim por diante em tudo o mais, desejando e escolhendo apenas o que mais nos conduz ao fim para que somos criados”.

São João Bosco, usa de sua sabedoria e nos contar suas visões e êxtases onde contemplou o céu, o inferno e o purgatório. Alertando-nos em seus livros sobre a necessidade de uma vida correta, visando sempre a salvação. Demonstrou também com sua prática, a importância em se orientar os jovens e crianças, para que eles se tornassem bons católicos.

São Pio X: Que lutou contra a modernidade e fraqueza espiritual em uma geração que começava a padecer pelo modernismo e abandono à tradição.

São Maximiliano Maria Kolbe: Que se ofereceu para morrer no lugar de outro condenado após uma fuga no campo de concentração. Demonstra-nos como é doar-se pelo próximo, dando a vida pelo irmão, assim como Cristo fez por nós.

A sua sofrida morte na “Cela de Fome”, se transformou, pela sua enorme fé, em tempo de penitencia e oração, de forma que após dias de oração, foram (os prisioneiros restantes e São Maximiliano) mortos de outra maneira (sem negar à Cristo ou desanimar).

Santo Afonso Maria de Ligório: No livro Oração, nos mostra o poder desta “arma”, Oração, pag. 22: “(…) necessidade absoluta que todos temos de rezar para nos salvarmos”. Também aduz sobre a importância da invocação dos Santos na oração:

“(…) Como declarou o Concílio de Trento: ‘É bom e útil invocar humildemente os santos e recorrer à sua proteção e intercessão, para impetrar benefícios de Deus por seu divino Filho, Jesus Cristo’. O ímpio Calvino reprova essa invocação dos santos, mas sem razão, pois é licito e proveitoso invocar em nosso auxilio os santos vivos e pedir-lhes que nos ajudem com suas orações. (…) Se é licito recomendar-se aos vivos, como então não será licito invocar os santos, que, no céu, mais de perto gozam de Deus?”

São Thomas More: Leigo, pai, advogado e escritor. Morreu, por não negar a Santa Doutrina e não negar a sacralidade do matrimônio. Chegou a abençoar seu carrasco na hora da morte. É exemplo claro de que a santidade pode ser alcançada pelos Leigos que vivem uma vida segundo à Santa Igreja.

São Ivo: Protetor dos Advogados, nos ensina que com bondade é possível se encontrar Justiça.

São João Paulo II: ensina com a Teologia do Corpo a lidar com a Sacralidade do ato sexual e da vida conjugal.

A importância de outros Santos como: Santo Atanásio, São Bento, Santo Antão, e São João Crisóstomo, que suportaram a Igreja em momentos cruciais frente às heresias é quase impossível mensurar e colocar em poucas palavras.

São José Anchieta: Deu sua vida catequisando os Índios e protegendo-os. Exemplo de que devemos pregar o evangelho à todos.

Santa Irma Lucia dos Pobres: Seu grande amor pelos necessitados e doentes, enxergando neles o Cristo que habita em todos nós.

São José Luís Sanchez Del Rio: morto aos 14 anos, na guerra Cristera, em 1928, na perseguição contra os Católicos no México. Foi torturado e teve a sola dos pés arrancada com uma faca, pedindo que ele negasse Cristo Crucificado. Ele preferiu dizer as seguintes palavras: Viva Cristo Rei, Viva Nossa Senhora de Guadalupe!

Inobstante os ataques, os Santos são exemplos a serem seguidos, e nos ensinam a Suma Verdade e Amor perfeito que é Cristo Ressuscitado. Todas as qualidades citadas, nos remetem sem muito esforço à Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Santa Igreja Católica Apostólica Romana, não pode ser julgada pelos filhos que andaram mal. Quem quiser conhecer a verdadeira Igreja Católica, deve olhar aqueles que realmente deram suas vidas seguindo Cristo: Os Santos.

Como disse o Padre Paulo Ricardo, os Santos são Luminosos, é lindo ser católico, as desgraças, não serão capazes de acabar com a Santa Igreja, pois temos a promessa do Cristo: “non praevalebunt!”. Feliz dia de Todos os Santos.

Por: Thiago Salomão