Do Sínodo, do Falso Ecumenismo e do Papa

Artigos/Opinião

Durante o Sínodo, alguns fatos me chamaram atenção: A recusa do Santo Padre em discursar após presenciar um “culto à uma entidade” durante a consagração do Sínodo à São Francisco; E, o fato de que alguns jovens retiraram imagens da Pachamama de um altar católico e as jogaram no Rio Tibre.

Adianto que não tecerei qualquer crítica sobre o povo indígena, ou sua cultura. Os eventos são apenas um “gancho” para tratar do “Respeito Humano e o Falso Ecumenismo” amplamente divulgado pela mídia.

É notório que este Vale de Lagrimas está cada vez mais obscuro por culpa dos filhos laxos e amedrontados da igreja. Lembremo-nos: “Si consistant adversum me castra, non timebit cor meum” – Ainda que me veja cercado de inimigos, não fraquejará o meu coração.

Antes que me coloquem injustamente a alcunha de anti-ecumênico, rad-trad, ou qualquer outra falácia, é preciso esclarecer que a defesa da Santa Mãe Igreja tem como base as Sagradas Escrituras: In casu, Marcos 16, 15: “E disse-lhes: ‘Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado’”. 

Não podemos esquecer que o Sínodo tem por escopo justamente amparar a população indígena sem acesso à Doutrina Católica. 

Devemos propiciar meios para que sejam batizados e catequizados, conhecendo a Suma Verdade que é Cristo Ressuscitado. Dando a eles meios para que conservem sua Cultura e suas raízes, à luz da Santa Doutrina Católica.

O mundo tenta nos convencer de que o ânimo de converter uma população é uma atitude horrível e repreensível. Tenta também nos incutir uma vergonha de professar nossa fé e amor à Santa Igreja. 

Os mártires e grandes Santos são exemplo contrário dessa “afirmação demoníaca”, v.g., São José de Anchieta, que nos ensinou com seu exemplo, dando sua vida catequizando os indígenas e defendendo-os dos colonizadores. 

São Josemaria Escrivá, Sulco, n.36 e 37. 36. “Assusta o mal que podemos causar, se nos deixamos arrastar pelo medo ou pela vergonha de nos mostrarmos como cristãos na vida diária”. 37. “Há alguns que, ao falarem de Deus ou do apostolado, é como se sentissem a necessidade de se defender. Talvez porque não descobriram o valor das virtudes humanas e, pelo contrário, sobra-lhes deformação espiritual e covardia”. 

Por inúmeros motivos, alguns esquecem que Cristo nos envia como ovelhas em meio aos lobos, e com medo das consequências caem no erro do Respeito Humano.

Precipuamente, “Respeito Humano” não deve ser confundido com “Liberdade Religiosa”, que nos é garantida pela Constituição Federal qual sou fiel defensor, mormente por entender que tal princípio também me permite defender a Santa Doutrina. 

O que é Respeito Humano? É aquele “sentimento” ou “postura” que nos impede de defender a Igreja quando presenciamos uma insistente mentira ou falácia contra ela, visando resguardar nossa imagem perante os presentes; É dar ibope à um comediante que faz piada colocando o julgo de pedófilo à todos os Sacerdotes; É aceitar patrocinar empresas que militam contra os valores Católicos; É achar que você pode seguir uma religião diferente à cada dia e ainda assim, ser um bom Católico.

Em outras palavras, é não se posicionar como Católico, respeitando mais às coisas mundanas, do que à Cristo, Nosso Senhor.

Por força do politicamente correto e pelo Respeito Humano, o Católico é forçado a negar à Santa Doutrina e até mesmo o Próprio Cristo, para não se posicionar de forma dissonante daqueles que professam outro credo.

O Respeito Humano, desagua em uma tendência a amar o que é extrínseco à Igreja e intrínseco à mundanidade. Por fim, acaba-se por odiar à própria Igreja e tudo que dela decorre. 

São princípios que corroem à médio/longo prazo todo o raciocínio do Católico desavisado, resultando nas seguintes assertivas: “ah, atualmente essa regra não vale mais, isso era antigamente”, “por que confessar à um padre, ele tem mais pecado que eu”; “padre deveria casar, ia acabar com os escândalos e problemas da igreja”, e outros teratomas morais.

Sulco, n. 47 Não podemos ser sectários, diziam-me com ares de equanimidade, perante a firmeza da doutrina da Igreja. Depois, quando lhes fiz ver que quem tem a verdade não é sectário, compreenderam o seu erro”. 

Isso nos leva à outra conclusão: O que pregam por ecumenismo, é na verdade a tentativa de criar uma religião sem identidade, misturando todos os credos e princípios em um só lugar e criar algo novo, inobstante às contradições inerentes a elas.

Ecumenismo, não é, e jamais será moldar o Catolicismo ao bel prazer das outras religiões. A chave do diálogo ecumênico é uma conversa direta com outras crenças, acolhendo-as, segundo à nossa Doutrina. Jamais mudando nossos Dogmas Sagrados visando encaixa-los às outras religiões. 

Devemos amar a Santa Igreja e seus Dogmas, ainda que custe nossas vidas. Assim como fizeram todos os Apóstolos e Mártires. 

Alguns na internet ganham dinheiro escarnecendo a Santa Igreja e o Santo Padre, criando estardalhaço visando “views” e “likes”, advogando diretamente pelo diabo.

Vi no Twitter de um Youtuber usando a frase de um Santo, que passava a mensagem de que ele estaria salvando a Santa Igreja pelas suas críticas ou pelo seu combate. Sinceramente lamentável, digno do esquecimento e ostracismo. 

A Igreja foi salva por Cristo e d’Ele temos a promessa: “Tu es Petrus et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam et portae inferi non praevalebunt.”. “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela (Mateus 16, 18-19)”.

Alguns usam da própria ignorância para colocar sobre o Santo Padre todo tipo de alcunha demoníaca, como se ele fosse o próprio anticristo

Para se justificar pelos ataques ao Sucessor de Pedro, usam de uma frase fora de contexto de Santo Tomás de Aquino, sobre a “desobediência” ao superior em caso de heresia, ignorando sua inteligência Extraordinária e seu amor e fidelidade incomensuráveis à Santa Igreja.

Esta argumentação rasteira, é uma tentativa inócua de interpretar Santo Tomás sem usar a Santa Igreja e seus Dogmas Sagrados como prisma. Desaguando no mesmo erro daqueles que tentam interpretar as Sagradas Escrituras pela leitura pontual de versículos. Um abismo de trevas.

Além disso, malgrado a vastidão do conhecimento, a maioria dos “leigos” não possuem tempo suficiente para estudar horas infindáveis sobre os temas específicos da Igreja. E ainda assim, alguns se julgam mais dominadores da Santa Doutrina que o Papa.

Aos que padecem da falta de amor à Santa Igreja e estão asfixiados pelo Respeito Humano, eis um dos muitos conselhos constantes no livro Sulco, de São Josemaria Escrivá: “34. “Quando está em jogo a defesa da verdade, como se pode desejar não desagradar a Deus e, ao mesmo tempo, não chocar com o ambiente? São coisas antagônicas: ou uma ou outra! É necessário que o sacrifício seja holocausto: é preciso queimar tudo…, até o “que vão dizer”, até isso a que chamam reputação.”.

Quanto ao Santo Papa Francisco, vejo-o durante uma caminhada amaga. Assim como Cristo durante o calvário, é cuspido e ofendido por praticamente todos que cruzam seu caminho, sendo até chamado por alguns que visam desqualifica-lo de Cardeal Bergoglio.  A estes, lembrem-se do episódio de Jesus e Herodes, este, cheio de si, não foi dado sequer a oportunidade de ouvir a Voz do Salvador.

Faço-vos um convite: rezemos como irmãos, para que Nosso Senhor Jesus Cristo proteja e ilumine o Santo Papa, mostrando-o a melhor forma para acolhermos os irmãos indígenas evitando que pereçam pela falta de batismo e catequese. Que ele solidifique ainda mais os Dogmas Sagrados e a Tradição.

Peçamos também, forças para nós fieis, para que não desanimemos frente às dificuldades e ao Respeito Humano. Defendendo sempre que possível A Tradição e a Santa Igreja.

Confiantes de que a última palavra ainda é de Pedro (no caso Francisco). Os abalos e tentativas de arruinar a Igreja são um convite para que nos voltemos com humildade à Nosso Senhor, como no episódio que Jesus dormia no mar agitado e após o pedido dos Apóstolos, Ele acalmou o mar e os ventos. 

Os discípulos então chegaram-se a ele e o despertaram, dizendo: ‘Senhor, salva-nos, estamos perecendo!’. Disse-lhe Ele: ‘Por que tendes medo, homens fracos na fé?’. (…) ‘Quem é este a quem até os ventos e o mar obedecem?’. Matheus, 8, 23-27. 

Confortare et Esto Vir!”.

Por: Thiago Salomão