Dom Orani: O Brasil corre o perigo de se tornar um país ateu

Igreja

Ao celebrar a festa de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, o Arcebispo local, Cardeal Orani João Tempesta, advertiu que o Brasil corre o perigo “de ser um país confessional ateu, e não um país laico que respeita todas as religiões”.

O Purpurado presidiu a Santa Missa do padroeiro na manhã de segunda-feira, 20 de janeiro, no Santuário Basílica de São Sebastião, na Tijuca, quando recordou a história desse santo mártir e assinalou a perseguição que os cristãos sofrem ainda nos dias de hoje.

“O Papa Francisco ultimamente tem falado que os mártires dos últimos tempos são em maior número do que nos primeiros séculos. A intolerância contra os cristãos católicos continua e muito na sociedade mundial”, afirmou Dom Orani durante sua homilia.

o Arcebispo ressaltou que “mesmo em nosso país nós vemos os últimos acontecimentos como falar contra Cristo, Maria e os cristãos católicos parece que além de render muito dinheiro, interessa as pessoas” e que se “impõem porque acham que podem fazer tudo”.

“Nosso país corre o perigo de ver uma teocracia ateia, de ser um país confessional ateu, e não um país laico que respeita todas as religiões. Nós vemos que um pouco essa maneira de pensar vai cada vez mais sendo propagada em todos os cantos”, advertiu.

Por outro lado, salientou que “aquilo que o mártir representa e é para nós faz com que nunca desanimemos em todas essas situações, mas saibamos que, quanto mais perseguidos e martirizados, mais fortes, mais animados e mais evangelizadores nós somos e seremos ainda mais”.

Nesse sentido, exortou os fiéis a não temer “aqueles que nos perseguem” e saber “viver esse nosso tempo com firmeza e sem desanimar com os duros ataques que têm contra a Igreja, contra Cristo, contra o Papa. Que nós permaneçamos firmes no Senhor, testemunhando em quem nós colocamos a nossa esperança e dando as razões da nossa esperança”.

Ainda durante sua homilia, o Cardeal Tempesta recordou a trezena realizada no Rio de Janeiro nos dias prévios à festa do padroeiro, quando teve a oportunidade de percorrer diferentes realidades da cidade.

“O que me chama atenção é que o carioca, ou aquele que veio viver no Rio de Janeiro, aprendeu com São Sebastião a se levantar das flechadas e continuar vida, aprendeu a não desanimar”, observou o Purpurado, destacando como os moradores do Rio de Janeiro continuem “firmes”, mesmo enfrentando a violência, problemas nas áreas da saúde, da educação, do emprego, entre outros.

“O carioca é um forte, o habitante do Rio de Janeiro é um forte e aprende com São Sebastião a assim viver”, exclamou.

Porém, ressaltou que “sermos fortes e continuarmos firmes, como nos dá exemplo São Sebastião, não significa sermos acomodados e conformados coma situação. Nós também temos o direito de sonhar com tempos diferentes”.

“Por isso, ao mesmo tempo que nós sabemos vencer as vicissitudes, sabemos levantar das flechadas que levamos na vida, também somos convidados e chamados a exigir de quem tem responsabilidade, para que realmente nós possamos ter tempos melhores em todos os campos e de todas as maneiras”, indicou.

Além disso, pontuou que, ao olhar essa realidade, vê-se também “a vocação de São Sebastião do Rio de Janeiro, que sempre teve uma importância nesse país”, de modo que o que acontece nesta cidade “se torna notícia nacional ou internacional”.

Desse modo, declarou, “temos também uma missão de poder dar esperança para o país de que, realmente, ao recuperar a cidade, ao retomar com alegria a justiça e a paz nessa cidade, também possamos olhar para o Brasil e pedir também que isso aconteça na liberdade, na fraternidade, na preocupação com o outro, sem os antagonismos e sem os ódios e rancores que às vezes nos dividem uns contra os outros”.

À tarde, a festa de São Sebastião na cidade do Rio de Janeiro contou ainda com uma multitudinária procissão que saiu da Basílica no bairro Tijuca, que é administrada pelos Capuchinhos, e seguiu até a Catedral Metropolitana no Centro da cidade.

ACI