Entidade Católica de Portugal dá ajuda de emergência à Diocese de Pemba, Moçambique

Igreja na África
Desde outubro de 2017, cerca de 200 mil desalojados e mais de 1100 pessoas foram brutalmente assassinadas pro grupos jihadistas na província de Cabo Delgado, no norte do país lusófono.

“Uma crise humanitária sem precedentes em Moçambique, um dos países mais pobres do mundo”.

O alerta é da diretora do secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) em entrevista à VATICAN NEWS no contexto da campanha de oração e de ajuda de emergência em favor dos cristãos de Cabo Delgado, norte de Moçambique, ameaçados por grupos jihadistas.

Uma campanha que surge na sequência de um apelo do bispo de Pemba D. Luiz Fernando Lisboa, que pediu ajuda espiritual e material à Fundação AIS, procurando assegurar meios de subsistência para os sacerdotes e as irmãs que estão a ser perseguidos e até expulsos das suas missões.

Desde outubro de 2017 que a região de Cabo Delgado tem sido alvo de ataques de grupos armados islâmicos que já provocaram “cerca de 200 mil desalojados e mais de 1100 pessoas foram brutalmente assassinadas por este grupo radical”, diz Catarina Martins Bettencourt, diretora da AIS/Portugal.

O mais recente e violento ataque ocorreu em abril deste ano na vila de Xitaxi onde 52 jovens foram assassinados por se terem recusado a integrar as fileiras dos ‘insurgentes’, como “localmente os terroristas são denominados”, refere a AIS.

“É este o cenário que se vive em Moçambique, também com alguma impotência por parte da força militar do Estado moçambicano que não tem conseguido fazer este papel de proteger também a população”, sublinha Catarina Martins.

Para a diretora da AIS/Portugal, a ideia é “tornar o continente africano um continente islâmico em que a lei mais rigorosa, a sharia, será imposta com a criação do califado e que todas as pessoas que não respeitam esta lei, não têm espaço para estar e, portanto, são obrigadas a sair, a fugir”.

“É uma campanha de oração em primeiro lugar, e também esta ajuda de sobrevivência”, sublinha aquela responsável que reafirma ser uma iniciativa de “envio de donativos” para o bispo de Pemba que “fará também esta parte da distribuição junto das missões”.

“Não podemos ser verdadeiramente cristãos se não estamos junto daqueles que mais necessitam neste momento”, conclui Catarina Martins que reafirma os apelos do Papa Francisco no sentido de “uma igreja de proximidade”, e critica o “esquecimento da Comunidade Internacional” em relação a mais esta tragédia em Moçambique.

POR: Domingos Pinto – Lisboa – VATICAN NEWS