Exposição com roupas de vítimas de estupro ajuda a explicar a concupiscência

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A exposição belga “O que você estava vestindo?” apresenta ao público as roupas que vítimas de estupro usavam quando foram atacadas. E, ao contrário do que a grande mídia diz, isso ajuda a entender bem as causas do crime de estupro.

Se não fosse por pequenos detalhes, seria impossível identificar quais roupas são de homens e quais são de mulheres – excetuando-se as roupas de crianças, que foram poupadas desta moda. Esta indiferença nas roupas femininas e masculinas nos recordam do alerta de Nossa Senhora de Fátima sobre as modas indecentes no vestuário.

“Hão de vir umas modas que hão de ofender muito a Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus não devem andar com a moda. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo.” E Maria também revelou a Santa Jacinta que “os pecados que levam mais almas para o inferno são os pecados da carne.” Embora na exposição haja roupas mais folgadas, percebemos algumas bem imodestas.

A gerente de projetos de Molenbeek, cidade nos Flandres onde a exposição se situa, afirmou: “Eu realmente espero que as pessoas mudem suas visões sobre as vítimas. O estupro não é sobre sexo, de um cara que não consegue controlar os seus desejos. É sobre poder”.

Ledo engano. Em um mundo onde as pessoas são bombardeadas por pornografia de todas as formas e em todos os lugares, os homens – especialmente os que não são cristãos – têm a sua concupiscência venérea (a libido amandi, como descrita por São João Evangelista) alimentada diariamente – seja pelas roupas imodestas, seja pela pornografia, seja pela sensualidade na TV – e necessitam descarregar essa vontade em algo; seja com sua esposa ou namorada, seja na masturbação ou, em casos mais reveladores da sua falta de caráter, no estupro. Ou, como resume a ativista feminista Robin Morgan, “a pornografia é a teoria, o estupro é a prática”.

Como um caçador buscando a presa mais suculenta, o estuprador é novamente atiçado pela exposição exagerada do corpo feminino e ataca preferencialmente aquelas que aparentam que possam lhe causar maior prazer – ou seja, as mais “voluptuosas” e cujas curvas estejam mais acentuadas pelas roupas que vestem.

Na exposição também há vestimentas indiscutivelmente masculinas, o que pode levar a dois caminhos: ao fato que homens também são alvos dessa ânsia predatória supracitada; ou à suposição que aquelas roupas foram usadas por mulheres, demonstrando o gradual travestismo das vestes que possivelmente Nossa Senhora de Fátima alertava.

Em suma, de fato a vítima não tem culpa pelo crime do estupro; mas, considerando o conjunto das roupas lá apresentadas, pode-se afirmar, preliminarmente, que usar roupas imodestas e que expõem as curvas femininas aumenta as probabilidades de sofrer um estupro.

Não, não presuma que estou defendendo o estuprador ou o estupro. O Catecismo da Igreja Católica os condena claramente: “O estupro (…) fere a justiça e a caridade. O estupro lesa profundamente o direito de cada um ao respeito, à liberdade, à integridade física e moral. Provoca um dano grave que pode marcar a vítima por toda a vida. É sempre um ato intrinsecamente mau”. Mas é inegável que certas atitudes podem incitar os homens mal-intencionados a concretizarem as suas vontades criminosas.

Qual a solução, então? A mais ideal, sem dúvidas, seria a recristianização da sociedade. Porém, como diz o professor Carlos Nougué, “não podemos ter certeza de se a sociedade se recristianizará; e parece difícil que o faça. Mas devemos dizer sem cessar: sem Cristo Rei, ela não terá paz e será pasto de demônios. Dizê-lo é parte da confissão de fé. Deus não nos pede que vençamos o bom combate, mas que o combatamos”.

Sendo assim, combatamos o combate pela reestruturação das famílias, pela conscientização da gravidade dos pecados da carne e, por fim, pela sujeição de toda pessoa à realeza de Cristo.

Por: Mateus Conte