Gêmeas siamesas da República Centro-Africana unidas pela cabeça são separadas no Hospital Bambino Gesù

Pró-família

Emoções e lágrimas. Cabeça e coração. Literalmente. Diante de tal sucesso qualquer comentário parece supérfluo, a emoção prevalece. A história foi escrita e ninguém pode apagá-la.

No Hospital pediátrico Bambino Gesù, foram separadas duas gêmeas siamesas, Ervina e Perfina, provenientes da República Centro-Africana que estavam unidas pela cabeça. Este é o primeiro caso na Itália e provavelmente o único no mundo (operações similares não são descritas na literatura) de cirurgias bem sucedida em gêmeos craniópagos totais posteriores, uma das formas mais raras e complexas de fusão em nível do crânio e cérebro.

As crianças estavam unidas pela nuca com o crânio e grande parte do sistema nervoso e vascular comum. A separação final foi realizada no dia 5 de junho, depois de três delicadas cirurgias no decorrer de um ano, acompanhadas pelos estudos da equipe médica do hospital. Poucas semanas depois as crianças puderam festejar seu segundo aniversário de modo especial: divididas, mas próximas na alegria como nunca puderam antes.

A diretora do Hospital, Mariella Enoc, recordou o seu primeiro encontro com as pequenas gêmeas, em Bangui, na República Centro-Africana, quando tinham poucos meses de vida. “Não lhes deram muita esperança, mas a verdade hoje é que sua vida poderia ter sido salva”. O médico Carlo Efisio Marras, responsável pela Neurocirurgia, explicou o quanto as cirurgias foram excepcionais. Definindo o caso como “muito raro”. “A peculiaridade consistia no fato de que o ponto de contato dos dois crânios – acrescentou – envolvia importantes estruturas venosas”. “Nosso objetivo era muito ambicioso: salvar as duas meninas e em perfeitas condições”. A mãe das crianças enviou um agradecimento por meio de uma mensagem principalmente aos médicos pelo presente recebido, ou seja, dar às suas filhas uma vida normal. “Agora”, disse, “elas podem correr, rir, estudar”. “Eu não estudei, espero que elas possam estudar, talvez serem médicas e salvar outras vidas”. Um agradecimento especial ao Papa pelo que ele fez e continua a fazer pelas crianças de Bangui e um desejo: que suas filhas possam ser batizadas por Francisco.

Final feliz

Longos meses de preparação e estudo com a ajuda de sistemas avançados de imagem e simulações cirúrgicas, culminaram, como mencionado, em três operações muito delicadas. Para fazê-las sobreviver separadas, foi necessário estudar cada aspecto, planejando o menor detalhe. A última cirurgia, a separação definitiva, foi uma operação de 18 horas com a participação de mais de 30 pessoas entre médicos e enfermeiros. Agora, um mês depois, as meninas estão bem, e encontram-se na divisão de Neurocirurgia do Hospital da Santa Sé em duas pequenas camas uma ao lado da outra, junto com sua mãe.

Como chegaram a Roma

As meninas nasceram em 29 de junho de 2018. Sim, justamente no dia da festa dos Santos Pedro e Paulo, santos padroeiros de Roma, a cidade da qual o Papa é bispo. E foi no hospital fundado pelo Papa Francisco em Bangui, capital da República Centro-Africana, que Mariella Enoc, diretora do Hospital Bambino Gesù, conheceu as gêmeas recém-nascidas.

Em 29 de novembro de 2015, antes de inaugurar o Jubileu da Misericórdia na capital da República Centro-Africana, Francisco foi visitar o complexo pediátrico da cidade. Entregou remédios enviados pelo Hospital Bambino Gesù e, sobretudo, sorrisos, palavras de conforto e carícias. E uma promessa: “Não vou esquecer vocês”. Assim foi. Quase três anos depois, Mariella Enoc estava numa missão em Bangui para acompanhar a expansão das instalações pediátricas e decidiu levar as meninas para Roma, junto com sua mãe, para dar-lhes uma esperança. Nascidas com parto cesáreo em Mbaiki, uma aldeia a cerca de cem quilômetros de Bangui, foram transferidas para a capital imediatamente, no dia de seu nascimento. “Hoje elas estão aqui, não se conheciam e agora enviam beijos felizes”, diz a médica Mariella Enoc, emocionada em nossa entrevista.

O futuro

As meninas estão bem. Elas terão que continuar o programa de neuroreabilitação e terão que usar um capacete de proteção por alguns meses. Mas os check-ups pós-operatórios indicam que o cérebro está intacto. O sistema recriado está funcionando, o fluxo de sangue se adaptou ao novo percurso. Estão em condições – explicam os médicos do Departamento de Neurociência – que lhes dará a oportunidade de crescer regularmente tanto do ponto de vista da motilidade como cognitivo, e levar uma vida normal, como todas as meninas de sua idade.

POR: Andrea De Angelis – Vatican News