Ir Além da Religião

Artigos/Opinião

Eu recebi recentemente alguns comentários de amigos sobre o meu livro O Aquário no Oceano – Mistérios Profundos do Catolicismo e quero aproveitar a oportunidade para responder ao interessante e profundo questionamento de que não seria melhor para mim, uma pessoa que vivera durante cerca de vinte anos a prática da Gnose e do autoconhecimento evitar a volta para a religião católica e ir “além da religião”? 

Eis minha resposta:

É sabido que a palavra religião significa unir o homem à espiritualidade, oferecendo caminhos e recursos para o equilíbrio da alma na matéria.

Se o objetivo do religare é proporcionar esta união, o que estaria além disso?

O questionamento na frase “ir além da religião” exortaria-me a buscar o sentido espiritual fora dos condicionamentos e dogmas, no meu caso, católicos.

No entanto, ir além da religião significou para mim compreender a profundidade esquecida do Catolicismo, ir além das aparências históricas e das imposições tanto midiáticas quanto de comportamento, e ir além do espantalho que se criou sobre a Igreja Católica para poder nela me aprofundar. 

Como dito no livro o Aquário no Oceano, todas as rotas geopolíticas de maior relevância levam à Igreja de Roma e foi movido por esta curiosidade e por ser católico que mergulhei em sua História.

Por isso escrevi este livro, que pretende justamente oferecer uma cosmovisão ocultada ao grande público, das verdades cristãs e católicas ao longo de pelo menos 5 séculos, pois foi a partir do século XVI que esta cosmovisão passou a ser sistematicamente ofuscada.

Ir além da religião, no meu caso, foi ir além das brumas e das inquestionáveis dúvidas e aversões que se tem hoje sobre a Igreja de Cristo.

É angustiante pensar no peixe dentro do Aquário. E, o que seria o peixe senão Cristo e também o homem? E que seria o Aquário senão a Igreja Católica? 

Por isso escrevi no livro que o aquário sobre a mesa limita a existência do peixe, mas o aquário no oceano a expande e protege por se tornar seu lar e refúgio.

É difícil compreender e aceitar, caso não aja interesse de investigação, os passos da Humanidade que fizeram surgir a Civilização Ocidental, que só ocorreu devido à presença católica e seus esforços. Ela atuou em prol das mulheres e da cultura dos povos, na elaboração da civilidade e no senso comum da verdade que hoje foi substituído por um senso pessoal e exclusivista.

A religião que une o homem à sua espiritualidade, que compreende  Deus como transcendente, que está portanto fora do homem e que é seu Criador; a religião que estabelece com clareza o que é verdade, pois a verdade também está fora do homem; a religião que sabiamente aprendeu de Jesus a evitar a imposição do paraíso na terra, típica das revoluções sanguinárias, perdeu-se no tempo. Foi ocultada, mitificada e  difamada.

Em resumo, para que um católico possa conviver com todo o oceano de diferenças existenciais e espirituais, nada melhor que compreender a proposta cosmológica do Catolicismo. São as visões de mundo, as cosmovisões, que permitem um ecumenismo sadio, em que as diferenças e limites são claros e, por isso, enriquecedores. 

O religare católico conduz sua verdade com clareza e sua escolha é fruto de livre arbítrio. 

Como católico, ter ido além das fronteiras do lugar comum me fez ir além da religião que a propaganda ordinária permite conhecer, tornando-me, assim, um católico melhor.

Eu fui além do que comumente se compreende erroneamente por religião para compreender de fato a religião que me batizou.

Por: Gustavo Corrêa Gonçalves dos Santos