Líderes religiosos cristãos propõem abrir Santa Sofia também ao culto cristão

Igreja
“Consideramos que esta é uma solução praticável e contribuiria para promover a compreensão, o respeito, o diálogo e a colaboração recíproca”, afirma o presidente do Conselho Nacional das Igrejas do Paquistão, o bispo anglicano Azad Marshall, para quem Santa Sofia deveria ser aberta a cristãos e muçulmanos. O retorno de Santa Sofia, em Istambul, na Turquia, ao culto islâmico tem suscitado fortes reações da parte das Igrejas cristãs no mundo

Abrir Santa Sofia também ao culto cristão. Esta é a proposta lançada por alguns líderes religiosos cristãos paquistaneses após a reconversão em mesquita da antiga basílica bizantina, em 24 de julho, por vontade do presidente turco Recep Tayyip Erdoğan. Com se sabe, uma decisão contra a qual nada serviram os apelos provenientes de várias partes do mundo.

Daí, a ideia de alguns líderes protestantes e católicos paquistaneses de permitir a partilha do lugar de culto. Entre seus propugnadores, o ex-presidente da Conferência dos Superiores Maiores no Paquistão, padre Abid Habib.

Partilha de lugar de culto não é fato inédito

“Os cristãos poderiam rezar no domingo e os muçulmanos na sexta-feira”, afirma o sacerdote à agência Ucanews, enfatizando que a partilha de um lugar de culto não é um fato inédito:

“Nos programas de diálogo inter-religioso ouvi muitas vezes doutos muçulmanos citar hadith (contos sobre a vida de Maomé, ndr), em que o Profeta permitia que delegações cristãs usassem a Mesquita de Masjid-e-Nabvi, em Medina. Há uma catedral em Boston que é usada pelos muçulmanos para a oração da sexta-feira e se poderia aprender desses exemplos, fazendo de Santa Sofia um lugar de culto para cristãos e muçulmanos”, afirma padre Habib.

Partilha contribuiria para promover a colaboração recíproca

Também para o presidente do Conselho Nacional das Igrejas do Paquistão, o bispo anglicano Azad Marshall, Santa Sofia deveria ser aberta a cristãos e muçulmanos:

“Consideramos que esta é uma solução praticável e contribuiria para promover a compreensão, o respeito, o diálogo e a colaboração recíproca”, declarou o bispo,  fazendo votos de que o governo de Karachi se faça porta-voz das preocupações da Igreja paquistanesa junto às autoridades turcas e “desempenhe o papel que lhe compete na promoção da harmonia inter-religiosa.”

Também expoentes muçulmanos contrários à reconversão