Nicarágua: Beatificação de James Alfred mártir morto pela Revolução Sandinista

Igreja

O Cardeal José Luís Lacunza Maestrojuán, Bispo de David, Panamá, preside, em nome do Papa, na manhã deste sábado (07/12), em Huehuetenango, Guatemala, à celebração eucarística com o rito de Beatificação de James Alfred Miller, religioso americano dos Irmãos das Escolas Cristãs.

Dados biográficos

James nasceu, prematuramente, em 21 de setembro de 1944, em Wisconsin, EUA, no seio de uma família de agricultores. Estudou em uma escolinha, perto da sua casa, e, depois, na cidade de Stevens Point, onde encontrou, pela primeira vez, os Irmãos das Escolas Cristãs. Em 1959, fez o noviciado em Missouri e, em 1962, recebeu o hábito religioso, tornando-se Irmão Leo-William. Mas, mais tarde, voltou a usar seu primeiro James Alfred.

Após três anos, na Escola Secundária de Cretin, no Minnesota, ensinou espanhol, inglês e religião. Em 1969, ao emitir os votos Perpétuos, foi enviado para a missão dos Irmãos das Escolas Cristãs, em Bluefields, Nicarágua, onde, em 1974, foi diretor e supervisor da construção de novas escolas rurais.

Revolução Sandinista

No entanto, na época da revolução Sandinista, seus Superiores pediram que ele deixasse a Nicarágua, em julho de 1979, pois temiam que, trabalhar sob o governo de Somoza, poderia correr risco de vida.

Por isso, Jaime voltou para os Estados Unidos, onde foi novamente professor em Cretin, onde escreveu: ”Estou entediado aqui e ansioso para voltar para a América Latina”. Assim, em 1980, foi enviado de volta para uma missão das Escolas Cristãs, mas, esta vez, na Guatemala. Ali, ensinou na escola Huehuetenago e trabalhou no Centro Indígena, onde os jovens índios Maias das áreas rurais estudavam, para aliviar a opressão dos índios nativos.

Após apenas um ano, na tarde de 13 de fevereiro de 1982, ameaçado de morte, foi atacado por três homens encapuzados, que o assassinaram. Jaime Alfredo foi enterrado em um cemitério paroquial, em Wisconsin, EUA.

Sua morte na Guatemala foi o início de uma longa série de assassinatos de sacerdotes e religiosos.

Testamento de Jaime

Em uma das suas últimas cartas, em janeiro de 1982, James escreveu: «Cristo é perseguido por causa de nossa opção pelos pobres. Cientes dos muitos perigos e dificuldades, continuamos a trabalhar, com fé, esperança e confiança na providência de Deus… Peço a Deus a graça e a força necessárias para servi-lo, fielmente, na pessoa dos pobres e oprimidos da Guatemala. Dedico minha vida à divina Providência, na qual confio».

Irmão Jaime morreu após um mês desta sua preciosa herança espiritual. Hoje, uma instituição, chamada “Fundo Irmão James Miller”, continua o mesmo trabalho que ele fazia entre os pobres e oprimidos e, todos os anos, envia doações para a realização de projetos para os mais necessitados de justiça social, em todo o mundo.

VATICAN NEWS