Notas sobre a história contemporânea da China

Artigos/Opinião

Podemos dividir a história da China contemporânea em duas partes: da consolidação da Revolução Chinesa, por Mao Zedong nos primeiros 30 anos (1949-1979), e nos 40 anos posteriores (1979-atualmente). Na primeira, temos o velho socialismo de estado com a coletividade da indústria e da propriedade fundiária (altamente significativo para um país até então majoritariamente rural), suas experiências malfadadas como o Grande Salto Adiante e a consequente Revolução Cultural.

Na segunda, já com o secretário geral Deng Xiaoping, são promovidas reformas econômicas que buscam promover exportações a preços altamente competitivos e baixos, abertura econômica que se traduz em investimentos e entrada de grandes multinacionais, que se beneficiam das isenções tributárias, ausência de leis trabalhistas e mão de obra abundante. A China também marca sua posição de independência da influência da URSS não sendo seu estado satélite, isso marcou a sobrevivência do partido como único governante perante a ruína do comunismo no fim da Guerra Fria.

Nos últimos anos temos um rival a altura de potências econômicas ocidentais, podemos dizer que a China é manufatura do mundo globalizado cuja tecnologia da informação almeja competir com o Vale do Silício. O sistema político monolítico, rígido e unipartidario vem se adaptando a economia quase que plenamente globalizada dos tempos atuais. “Capitalismo de Estado”, “Socialismo de Mercado” e “Socialismo com características chinesas” são nomenclaturas que apenas tentam ilustrar uma realidade: chinês também sabe e gosta de ser capitalista, mesmo não tendo aparência política limpinha o suficiente para isso.

Por: Roberto Panoff