Os anticristãos sorrateiros

Artigos/Opinião

O Especial de Natal da Netflix, me levou à uma reflexão sobre a influência anticristã no mainstream e a indigesta “cultura popular” propagada aos brasileiros, que são vencidos pelos recalcitrantes interessados. Embora seja um material desprezível aos Católicos, assaz vezes, ao tentar ser anticristão, o interlocutor, acaba por fazer uma afirmação que só um Cristão bem informado faria. 

A exemplo do Slipknot – Pulse of the Maggots: “No time like the present, telling you right now, What have you got to lose, what have you got to lose, except your soul?”. Tradução livre: não há tempo como o presente, o que você tem a perder exceto sua alma?

A versão popular da assertiva é: “Só Deus pode me julgar?”. Ser julgado por Deus é justamente o grande “problema” que desagua na perda da alma pela eternidade. Inobstante ao sofrimento, a pena de danação nos impedirá de contemplar a Sagrada Face de Cristo.

Sobre o tempo passado e futuro, assevera Santo Agostinho:

“Contudo, eu o declaro sem hesitar, e sei que, se nada passasse, não haveria tempo passado; que se nada sucedesse, não haveria tempo futuro; e que se nada existisse atualmente, não haveria tempo presente. Como então esses dois tempos, o passado e o futuro, existem, se o passado não existe mais e se o futuro ainda não existe?(Confissões, pag. 338/339)”

Em um Stand Up, um humorista bradou a fazer uma piada sobre Nosso Senhor: “haha! ele não vai ficar bravo porque ele não existe”. De fato, como nos ensina o Professor Carlos Nougué: 

“Para falar precisamente, Deus não existe, Deus é! Porquê “Existir” etimologicamente quer dizer: ‘provir de, provir de alguma causa, provir de algo. Deus é incausado, não provém de nada. Por isso é que o ideal é dizer que Deus é, e não que Deus existe. (Youtube: A Existência de Deus e a Criação do Mundo – Carlos Nougué).

Não devemos silenciar e deixar que escarneçam a nossa Fé, entretanto, a preocupação do presente texto não é com o polêmico Especial de Natal do grupo que há tempos vilipendia o que nos é Sagrado, ou de uma banda provavelmente ocultista (vide mascaras, letras das músicas e clipes), pois os adversários levantam claramente uma bandeira contraria à nossa.

Há um problema ainda maior, externado pelos artifícios usados para incutir na cabeça do Cristão de forma rasteira e covardes ideias contrárias à Sagrada Doutrina. 

No filme Tarzan (2016), o Vilão, carrega consigo um Rosário Mariano e usa-o para tentar matar por asfixia o protagonista na cena final. Ocorre que o protagonista, se livra e vence. O Rosário é destruído e o Vilão cai para ser devorado por crocodilos.

Há uma clara intenção de colocar uma semente de dúvida na cabeça dos que veem essa cena. Buscam transformar a Santa Devoção do Rosário em um objeto usado por vilões, “propagado” por pessoas terríveis e que tem por fim serem devoradas por bestas.

Não defendo aqui que todos que possuem o Rosário ou o Terço são sagradas criaturas, mas também, é imperioso defender que a assertiva contrária também é falsa, a fim de que também não seja propagada a ideia de que todos que o possuem sejam demônios.

No dia 06 de janeiro de 2020, a atriz Michelle Williams, conforme o Acidigital, declarou ao receber o Globo de Ouro, que o seu sucesso se deu pelos abortos praticados. O discurso foi anunciado como “poderoso” pela vogue.globo.com: “Michelle Williams faz discurso poderoso no Globo de Ouro sobre os direitos reprodutores femininos.”.

Na série Mayans MC, spin off de Sons of Anarchy, a protagonista aborta o filho de um dos atores principais e segue sua vida normalmente, até por fim, casar e ter filhos com outro homem bem-sucedido por ser um grande narcotraficante e comandante de um cartel.

A Santa Igreja Católica Apostólica Romana já nos alerta sobre a “antítese maligna da Sagrada Eucaristia”, o Aborto, no Catecismo CIC n.º: 2270 e seguintes: 

“A Vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida.

“Antes de formar-te no seio de tua mãe, eu já te conhecia, antes de saíres do ventre, eu te consagrei” (Jr 1,5).”.

E ainda, há a pena de excomunhão latae sententiae, para os que cometem esse delito, no CIC n.º: 2272. 

Propagam o ódio pela mulher grávida e à família numerosa. A série da Netflix: “A Casa de Papel”, em sua segunda temporada, trouxe como Vilã, uma implacável, maligna e fumante mulher grávida.

O mainstream tenta impedir o matrimonio, expansão das famílias e prole numerosa usando de todos os meios possíveis, incitando a libertinagem sexual, infidelidade e todo tipo de medo na cabeça dos Católicos: guerras nucleares, falta de água e comida, excesso populacional e o famoso aquecimento global, qual segundo o Al Gore acabou com a humanidade há mais de cinco anos.

Há casos em que Deus acaba por não conceder filhos, devendo os esposos manter uma vida conjugal cheia de sentido e cristãmente, conforme CIC 1654. Entretanto, os filhos são frutos do amor de Cristo. Conforme o CIC n.º:1652: 

“Pela sua própria natureza, a instituição matrimonial e o amor conjugal estão ordenados à procriação e à educação dos filhos, que constituem o ponto alto da sua missão e a sua coroa”. “Os filhos são o dom mais excelente do Matrimonio e contribuem grandemente para o bem dos próprios pais. Deus mesmo disse: (…)’Sede fecundos e multiplicai-vos’ (Gn 1,28).” 

A fidelidade e castidade também são atacadas incansavelmente. A mensagem das músicas badaladas atualmente, são sobre infidelidade, endeusamento do parceiro (amor doentio) e volta por cima para deleitar-se na libertinagem. Estão deixando de compreender o real significado do Amor.

Para o Católico é sempre batalha se manter um relacionamento atualmente. Pela facilidade do ato sexual, matou-se o ímpeto ao casamento, fidelidade e à construção de um núcleo familiar. 

Para quem é assíduo no uso de rede social e celular (Whats app e Telegrama), sabe dos perigos da Concupiscência dos Olhos. Há excessiva propaganda sexual em todo e qualquer propaganda. Acaba por viciar os jovens e adultos em uma nova droga, vide o curso gratuito do Padre Paulo Ricardo sobre os danos da pornografia no cérebro (e na alma).

São raras as Series e Filmes que não usam da sexualização e libertinagem. Fingem esquecer que a sacralidade matrimonial nasce também da necessidade preservação da intimidade pessoal para que no momento certo seja possível a contemplação dessa intimidade à duas pessoas e uma só alma (que foram unidas no matrimonio). 

O corpo é templo onde habita o Espirito Santo e não deve ser violado por qualquer estranho em uma “one-night stand

E sereis odiado por todos por causa do meu nome” (Mateus 10, 22), o Católico que busca a santidade é taxado de “bloomer” ou “incel”, não desanimeis de defender a Verdade. 

Como disse São João Paulo II, voltai-vos para o Cristo. Devemos lutar contra as armadilhas do maligno. O Padre Paulo Ricardo em sua homilia no Dia de Reis, nos alerta que a sociedade atual tende a pintar o Católico como um boneco de palha moralista, que espancado com falácias ele por ser de palha não revida. 

A grande realidade da Santa Igreja Católica Apostólica Romana são os Santos, Santas e Mártires, que defenderam a suma Verdade em uma época que poderiam sofrer todo o tipo de tortura e morte para não negarem a Cristo. 

Alguns caem no Xadrez, se acovardando em defender esta Verdade, temendo ser visto como um moralista “esquizofrênico” que vive em uma realidade paralela.

Que Deus nos conceda coragem para defendermos a devoção ao Santo Terço e a devoção à Virgem Santíssima que são importantes para a salvação de nós os pecadores que padecem nesse vale de lágrimas, esperançosos de que a Virgem Mãe rogará por nós até que por fim possamos contemplá-la no céu, junto à Seu Filho.

“(…) pois ninguém pode desaprovar a devoção ao Santo Rosário sem condenar o que há de mais piedoso na religião cristã, a saber: a Oração dominical, a Saudação Angélica, os mistérios da vida, morte e glória de Jesus Cristo e de sua Santíssima Mãe”. (O Segredo admirável do Santíssimo Rosário – São Luís Maria Grignion de Montfort, pag.36).

Também defenderemos a sacralidade do Matrimonio e a Vida, assim como São Thomas More, que embora leigo, e pai de família, defendia a indissolubilidade do casamento e importância de fidelidade. Buscando sempre ter, nas limitações individuais uma família numerosa. Tão numerosa quanto Deus permitir.

O que você tem a perder além da sua alma? 

Por: Thiago Salomão