Pai Américo, um Venerável português

Igreja em Portugal

Pai Américo. Era assim que lhe chamavam os rapazes da Obra da Rua e tantos outros, homens e mulheres, que com ele viveram a aventura da caridade feita vida, do Evangelho feito entrega. Deu-se pelos outros e para os outros. Procurava-os, porque não gostava da paz podre das sacristias. Foi “Igreja em saída” e na Rua fez a sua Obra.

Pai Américo, espinho na nossa própria consciência

Na quinta-feira dia 12 de dezembro o Papa Francisco assinou o decreto que reconhece as virtudes heroicas do padre Américo. E nessa mesma manhã a ele se referiu o bispo do Porto na homilia da Missa da dedicação e restauro do Igreja dos Clérigos. D. Manuel Linda recordou o modo amigo como lhe chamavam os rapazes da Obra da Rua: Pai Américo.

“O padre Américo faleceu há 64 anos e distinguiu-se porque aqui muito perto na Sé, no Barredo e nas margens do Douro fez aquilo que na altura era fundamental. Crianças abandonadas ou mal nutridas, crianças em estado de pobreza absoluta e ele conseguiu formar, desenvolver e inserir na sociedade.  Graças a Deus as coisas hoje mudaram muito. Temos muitas instituições que se dedicam à infância, mas não desapareceu a necessidade da Igreja e do Estado estarem presentes junto de tantas fragilidades. São fragilidades de sem-abrigo, toxicodependência e solidão. O Pai Américo está aí como espinho na nossa própria consciência, a dizer-nos: mudaram as condições, mas não desapareceram as carências” – sublinhou o bispo do Porto.

O seu nome completo é Américo Monteiro de Aguiar, nasceu a 23 de outubro de 1887, em Galegos, Penafiel, diocese do Porto. Era o último de oito irmãos. Apaixonado pelo serviço aos pobres, em particular, às crianças, instituiu a Obra da Rua em 1940 com a fundação da primeira Casa do Gaiato. Existem seis Casas do Gaiato: Paço de Sousa, sede da Obra da Rua, Paredes, Setúbal, Benguela, Malanje e Maputo. O padre Américo faleceu no Hospital de Santo António no Porto, a 16 de julho de 1956, tendo sido sepultado na Capela da Casa do Gaiato de Paço de Sousa em Penafiel. O padre Américo é a partir de agora Venerável.

Padre Américo cortou círculo vicioso da pobreza

O padre João Pedro Bizarro, sacerdote da diocese do Porto é o postulador da causa de canonização do padre Américo e afirmou à Agência Ecclesia que o novo Venerável “cortou com o círculo vicioso da pobreza”.

Para o padre João Pedro Bizarro, o Venerável padre Américo viveu “de modo heroico” a caridade. Exercitou uma visão pedagógica numa sociedade onde “a pobreza era endémica” e deu meios aos rapazes para saírem da pobreza. E fê-lo dando “toda a sua vida a Deus e ao amor de Deus”.

“O padre Américo formou carpinteiros, serralheiros, pôs esta gente, que seriam excluídos, a ser gente válida” – disse o padre Bizarro.

Modelo para a juventude

Nas proximidades das Jornadas Mundiais da Juventude de 2022, o postulador da causa de canonização do padre Américo, lembrou que o novo Venerável é modelo para a juventude.

“Quando se diz que a os jovens não têm horizontes, o padre Américo acreditou na juventude, dizia que não havia rapazes maus. E quando toda a gente dizia que não havia solução, ele ia à procura deles e amava-os, eis o modelo para nós” – afirmou o padre João Pedro Bizarro.

A Conferência Episcopal Portuguesa manifestou em comunicado a “profunda alegria” da Igreja Católica pelo avanço na causa de canonização do padre Américo. “Trata-se de um passo importante rumo à beatificação deste gigante da caridade, grande educador português, místico do nosso tempo, precursor do II Concílio do Vaticano, artista da palavra e servidor dos pobres” – escrevem os bispos portugueses.

Laudetur Iesus Christus

Rui Saraiva

VATICAN NEWS