Perseguição aos Católicos: Bispo condena violência após incêndio de igreja militar no Chile

Igreja

O Bispo Militar do Chile, Dom Santiago Silva Retamales, expressou sua proximidade aos carabineiros (policiais) após o incêndio da Igreja São Francisco de Borja, em Santiago, onde se realiza os serviços religiosos da polícia, e expressou sua condenação à violência persistente no país.

Assim indicou o Prelado, em 4 de janeiro, em uma mensagem aos fiéis do Bispado Militar, em especial aos policiais do Chile e suas famílias, após o incêndio em 3 de janeiro na mencionada igreja, cometido por um bando de encapuzados.

Três companhias de Bombeiros compareceram ao local, mas os encapuzados bloquearam a passagem dos voluntários que não conseguiram apagar o incêndio em tempo hábil.

A igreja data de 1876 e, no início, era a Capela do Sagrado Coração de Jesus do Hospital São Borja. Em novembro de 1975, foi designada para o serviço religioso dos Carabineiros de Chile.

A igreja também está localizada no mesmo setor em que, há algumas semanas, queimaram as Paróquias da Assunção e da Veracruz.

O Bispo disse em sua mensagem que “contemplamos com perplexidade o ataque, profanação e incêndio da igreja institucional dos Carabineiros do Chile, São Francisco de Borja, na cidade de Santiago. Trata-se de um lugar e um espaço sagrado dedicado a Deus e à atenção humana, pastoral e espiritual dos policiais, de suas famílias e de todas as pessoas que buscam o Senhor com um coração sincero”.

“Esse vandalismo e ato violento são completamente incompreensíveis, especialmente quando essa igreja institucional está a serviço de toda a comunidade”, ressaltou o Prelado chileno.

“A todos os integrantes da querida instituição dos Carabineiros em todo o país, unida espiritualmente em torno deste templo durante as últimas décadas, expresso a minha proximidade nesses momentos difíceis e encorajo vocês a continuar determinados a salvaguardar a ordem e a paz social”, indicou.

“Com a mesma força com que consideramos justas as demandas sociais legítimas e promovemos o respeito pelos direitos humanos, condenamos em todas as suas formas essa violência persistente que apenas aprofunda as feridas do Chile”.

As manifestações no Chile começaram em 18 de outubro de 2019, após o aumento do preço do metrô. Desde então, diferentes demandas sociais foram adicionadas.

Isso pressionou o governo de Sebastián Piñera e os setores políticos a trabalhar em diferentes reformas e projetos, além de anunciar a redação de uma nova Constituição que substitui a promulgada pelo regime militar de Augusto Pinochet em 1980.

Os cidadãos continuam tornando visível suas reivindicações através de manifestações que começam pacificamente e terminam com enfrentamentos entre encapuzados e a polícia, que com frequência desencadeiam ataques a igrejas, propriedade privada e pública.

Em sua mensagem, Dom Silva recorda que “o futuro do país depende de nossa capacidade de diálogo sincero para discernir o que é justo, de acordos transversais que sejam respeitados e de ações concretas que devolvam ao Chile sua alma de povo com vocação de unidade, respeito por todos e desenvolvimento integral”.

“Que o Senhor possa abençoá-los e guardá-los para que, por intercessão de Nossa Senhora do Carmo, sigamos o seu caminho na verdade, na justiça e na paz”, concluiu.

ACI