Perseguição religiosa e hostilidade, é hora do ocidente rever a aliança com a Turquia?

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Imagine uma região onde o sol sempre é forte, as temperaturas chegam a 40 graus ou mais em todos os dias e não caia um só pingo de chuva. Esta região existe e o que “imaginamos” são circunstâncias normais neste momento em Lower Jezireh, a região de al-Hasakah que fica no nordeste da Síria. Por ali passa um rio chamado Khabour que atravessa a capital do governadorado de Hassaké mas, ele agora é um rio seco.

Apesar de tudo isso, não é normal que nas torneiras não exista uma só gota d’água.

Jihadistas e nacionalistas turcos usam água como arma de guerra

O que tem acontecido é que, nas duas últimas semanas, milícias jihadistas e nacionalistas turcas têm impedido que os sistemas de transporte e abastecimento de água potável vinda de regiões menos áridas localizadas na região de fronteira entre a Síria e a Turquia.

Não é a primeira vez que eles usam a água como uma arma de guerra. Desde que houve a captura de uma “zona de segurança contra terroristas curdos” situada numa faixa de cem quilômetros de extensão e vinte e cinco quilômetros de largura no Haute-Djézireh sírio, isso tem acontecido com frequência.

Milícias jihadistas e nacionalistas turcas impedem que chegue água potável a uma região onde ela não existe e onde vivem refugiados cristão e outras minorias religiosas e étnicas.

“Cortes voluntários de água potável são violações dos direitos humanos”

“Esses cortes voluntários de água potável são violações dos direitos humanos”. Esta afirmação foi feita na última sexta-feira pelo Patriarca Sírio-Ortodoxo Ignatius Ephrem II Karim em uma carta enviada ao secretário-geral das Nações Unidas:
“Este ato antiético atinge especialmente crianças, idosos e pessoas vulneráveis, em um país que também já está sofrendo muito com a pandemia de Covid-19. Isso é um crime contra a humanidade”, disse Ignatius Ephrem.

Perseguição religiosa, limpeza étnica, crimes turcos para as quais Ocidente faz vista grossa

Na verdade, isto é um outro crime que pratica o presidente turco Erdogan em torno de suas fronteiras do sul, para as quais Ocidente faz vista grossa. Também a limpeza étnica continua e ela é assistida em silêncio.

A minoria cristã que tenta sobreviver no lado norte da fronteira enfrenta, constantemente, uma intimidação após a outra. Um exemplo dessa intimidação aconteceu quando os pais de um padre caldeu em Istambul, Remzi Diril, queriam voltar para sua aldeia natal de Meer: eles foram sequestrados e assassinados em janeiro deste ano.

Mas as tropas turcas –sob o pretexto de proteger a Turquia dos ataques terroristas curdos– não só invadiram o norte da Síria em outubro passado, mas ainda fizeram vítimas entre os cristãos e iazidis no extremo norte do Iraque, em torno de Zakho e Sinjar.

Milícias jihadistas e nacionalistas turcas impedem que chegue água potável a uma região onde ela não existe e onde vivem refugiados cristão e outras minorias religiosas e étnicas.

As tropas turcas que invadem os países vizinhos pertencem à Nato

E há algo em tudo isso que não se pode esquecer: estas tropas turcas que invadem os países vizinhos são tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a NATO, uma aliança militar da faz parte um bom número de países ocidentais!

A expressão al-Jazayra em árabe significa: “A ilhota”. Djézireh sempre foi uma região multicultural e multirreligiosa, onde vivem Yezidis e Mandeanos, Curdos Cristãos e Sunitas, Cristãos Caldeus, Siríaco-Católicos e Siríaco-Ortodoxos, bem como Armênios que aí se estabeleceram após o genocídios cometidos por Jovens Turcos no final da Primeira Guerra Mundial.

Essa diversidade está sendo sistematicamente ameaçada agora por islamistas e nacionalistas turcos:
No final do ano passado, nos abrigos de ônibus em Diyarbakır, foram afixados pôsteres onde nos quais aparecia um verso do Alcorão que é conhecido como “da Espada”. Trata-se de um verso muito popular e presente em ambientes extremistas e frequentemente citado como justificativa para atos terroristas.

É hora de ser revista a “aliança” do Ocidente com a Turquia?

Mas o Ocidente não se importa muito com isso! Contudo, uma pergunta carregada de bom senso se impõe:

Não chegou a hora de ser revista fundamentalmente a “aliança” do Ocidente com a Turquia? (JSG)

(Fonte: La Libre.be)

POR: GAUDIUM