Protestantismo Inverso

Artigos/Opinião

Hoje deparamo-nos com um novo tipo de protestantismo, O PROTESTANTISMO INVERSO, aquele que não está fora da Igreja Católica, mas dentro dela. Este “protestantismo” invertido age de dentro para fora contrapondo-se ao que a Igreja ensina e crer. As vezes de forma proposital, ou seja, com uma afronta sistemática e consciente, as vezes de maneira acidental e inocente por uma ignorância e prejulgamento antecipado. Muitas vezes esses “protestantes invertidos” dizem ser contra um ou outro ponto da doutrina, não acreditar nisso ou naquilo, achar exagero isto e assado, podem dizer-se ainda católicos mas não concordar “com os erros e atitudes da Igreja no passado”, tendo uma visão menos “fundamentalista”, “arcaica”, “retrógrada”, não possuem fanatismos, são uma espécie de “equilibrados religiosos” que coadunam-se com os não-crentes para uma sociedade menos “extrema”. Estes católicos protestanizados estão em abundância dentro das paróquias, das cúrias diocesanas, nas associações católicas, nos movimentos, nos grupos e institutos de cunho religioso, até e talvez, principalmente, nos seminários, colégios e universidades católicas do mundo inteiro. Como podemos mapear este fenômeno dentro da Igreja, há uma solução e como se propagada estes católicos protestantes no mundo contemporâneo?

Há no mundo mais de 1,3 bilhões de católicos, equivalente às populações de China e Índia, dois dos países mais populosos do mundo (não cristãos por sinal). Este número seria ótimo se não fosse por um problema; católicos mal catequizados. Estes católicos são presas fáceis para o alastrar de numerosos questionamentos que sem uma atenção adequada levam aos “partidarismos doutrinários”, isto é, o aceitar e rejeitar pontos da doutrina católica ao bel prazer dos desagradados. Se limitasse-se aos questionamentos abertos às situações contemporâneas, menos mal, porém, eles se estendem aos dogmas e às bases da fé indubitáveis aos católicos. Mas podemos mapear as variáveis que geraram este protestantismo inverso e seu alastramento da seguinte maneira: Má catequese, liberdade de expressão, opinião livre ou própria, criticismo, comunicação de massas e avanço tecnológico, etc.

A maioria dos católicos vivem em países republicanos ou democráticos e a atmosfera de tais regimes refletem-se nos ambientes religiosos. Afinal, os católicos são cidadãos e sua missão insere-se de alguma forma no seu contexto político, seja republicano, democrático ou outro. No entanto, dentro do ambiente religioso não é local para trazer debates republicanos (e aqui é de coisa pública mesmo), porque assim confundir-se-ão alhos com bugalhos, misturar-se-ão água e óleo, profano e sagrado. Debater doutrina dentro do ambiente religioso como se fosse um debate político em que tudo gira em torno da discricionariedade é uma perversidade sem grau e gênero, simplesmente inútil para o proveito da fé porque causa confusão entre os fiéis. Quando um sujeito levanta sua bela opinião para protestar contra um dogma e doutrina da Igreja (para a desgraça de todos), se não levantar um sensato de Deus para com energia fazer ressoar o bom senso da fé, iniciar-se-á o zunzunzum, o bafafá dentro da Igreja.

É interessante notar que o princípio da obediência se perdeu entre os católicos em nome de uma fraternidade igualitária, os leigos e os consagrados são iguais nas matérias de fé, até a autoridade sacerdotal e episcopal se perdeu. Definitivamente, esta fraternidade assim contextualizada está errada, ela é medíocre e alheia a própria Igreja. A fraternidade Eclesial tem por base o fato de sermos filhos de Deus e isto quer dizer que somos iguais em dignidade, mas, o princípio que Deus dispôs sobre a Igreja e o Mundo é o da Subsidiariedade, os maiores ajudam e cuidam dos menores. Não se trata de uma igualdade superficial, é uma DESIGUALDADE JUSTA. Sendo direto; o leigo não é maior que o sacerdote, quando este fala aquele escuta, mas se um sacerdote diz bobagens, o leigo pode e deve corrigir fraternalmente, isto é, respeitando. A Igreja não é republicana, é uma Família e uma Teocracia (no sentido de que vem do Poder de Deus), é Teologal (sua autoridade vem do Verbo cuja Autoridade foi dada sobre Céus e Terra), portanto, o silêncio mariano deve-se fazer presente junto à humildade apostólica na Igreja e nos seus ambientes diversos, incluindo o coração do fiel. (Ver comentário 1)

Liberdade de expressão e Opinião própria

Este ambiente republicano desloca-se inconsistente para a Igreja sobre o pretexto da Liberdade de Expressão e Opinião Própria, dois fetiches modernos que foram consagrados pela opinião pública, mas ela é falsa em grande medida, pois liberdade de expressão não existe para o mero confronto das ideias, mas para o livre formar e informar, é um direito de aprender e um dever de ensinar. Isto vale para a opinião própria, ela não existe para que você tenha uma apenas por ter, mas para que sua consciência tenha a liberdade de escolher a melhor. Você enriquece sua opinião quando busca aprender com os melhores quando estes são guiados pela razão. Se é assim para o mundo em geral, quanto mais para a Igreja? Buscando e aprendendo com ela que é o Depósito da Verdade Revelada de Deus? Por isso, porque ter opinião própria para confrontar a fé? Usar a liberdade de expressão e a livre escolha de opiniões para defender a Verdade que é uma só, a saber, Jesus Cristo é a melhor escolha. (Aliás para aprofundar mais neste assunto, ler comentários 2 e 3)

Criticismo, Comunicação de massas e o avanço tecnológico

Outra abordagem que devemos fazer é sobre o criticismo, essa forma de ver o mundo com um olhar superior e arrogante. O crítico existencial se considera no direito de julgar a história com um “olhar de cima” para baixo, como se a história antes dele estivesse no horizonte de sua própria vida, como uma visão panorâmica, mais um engano. Você não é senhor da história para julgar os vivos e os mortos, isto cabe a Cristo. Você é um homem nascido no presente, não esteve no passado e não tem poder absoluto sobre o futuro. Mas essa visão distorcida que permite olhar a história desde cima é o que permeia muitos católicos quando dizem ser contra as “atitudes erradas” da Igreja, como se ele tivesse tal poder para julgar, como se estivesse correto em suas críticas, como se a Igreja Católica fosse uma mera instituição humana cujas ações na história reflete meramente as arbitrariedades humanas, e nisso esses católicos enchem o peito para relativizar a sã doutrina baseado em ações pastorais que a Igreja revogou ou sancionou ao longo dos séculos. Tenha em mente que você não é superior aos santos, aos papas, aos reis e sábios do passado, você é meramente um homem do presente, um dia também eles foram presentes, por isso, tenha um olhar humilde quanto a eles. O fato de ter nascido 2000 anos depois não te dar autoridade sobre os 2000 anos antes. Sejamos humildes e aprendamos com o passado, para compreendermos o presente para, aí sim, termos uma opinião crítica quanto ao futuro, este é o único em que podemos moldar com nossas escolhas.

Por último, a Comunicação de massas está no bolo da cereja disso tudo. Ela é a fonte dos enganos para o povo católico, atualmente. A comunicação de massa veio como um subproduto do avanço tecnológico e industrial e foi aproveitado pelas entidades que compreenderam seu poder de persuasão e controle da opinião pública, foi o que fizeram os inimigos da Igreja Católica. Ela funciona da seguinte maneira: OS inimigos anticatólicos controlam os meios de comunicação de massa como rádio, televisão, jornal, revista, livro e propagam mentiras ou falsas ideias pelo mundo. Eles são uma pequena elite que controla a opinião pública dando o parecer e opinião deles, portanto, a ideia de debate público é falso quando elas vem em geral dos meios de comunicação de massa, na verdade elas vem de meia dúzia de gatos pingados que as controlam para seus próprios interesses, é assim com o aborto, casamento gay, eutanásia, etc. O dinamismo da comunicação se perde porque o povo debate em cima de pautas que não foram lançadas pelo público. Quando a máquina da comunicação é usada contra a fé católica, mesmo o povo católico não sai do ciclo vicioso de debate. As más e influentes ideias enraízam na sociedade como galinha depenada cujas penas foram levadas ao vento. (ver comentário 4)

Carregados de tudo isso, os católicos atuais são vítimas e algozes de si mesmos, já que circundam e perpetuam essa farsa. A Igreja tem dificuldade de acompanhar o avanço tecnológico porque a sociedade laica assumiu o completo protagonismo de tal. Mas a missão da Igreja de instruir, educar, formar, catequizar e salvar o mundo com a Verdade continua e precisa dos seus filhos para tal. É preciso ao católico humildade e serenidade para usar dos recursos atuais para defender e ensinar a Sagrada Tradição.

O Protestantismo Inverso é o movimento protestante invertido dentro da Igreja Católica, protagonizado pelos próprios fiéis. A alma desse protestantismo é o “ouvir o mundo” e não a Cristo. Isto é a fumaça de Satanás que entrou na Igreja, mas as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. Será que você, eu, nós não somos protestantes invertidos a protestar contra os ensinamentos católicos mesmo dentro da Igreja, selecionando o que nos convém e ignorando o que nos desagrada? A Paz de Cristo e Salve Maria Imaculada!

Comentário 1

Hoje em dia há o fenômeno da Livre Opinião, algo muito recente na história humana, mas ascensão intelectual não avançou tanto quanto o número de opiniões a cerca de tudo. Garotos de 14 anos emitem opiniões sobre a existência humana que deixaria Aristóteles perplexo. Não se faz, porém, uma verdadeira investigação, mas um nivelamento social aceitável, talvez a isto que Jesus chama de “A paz que o mundo traz”, ao invés da Sua Paz que traz a Espada!

Comentário 2

A fé católica não é uma religião de opiniões, ela não é uma democracia. Se assim fosse ela já teria sido modificada trocentas vezes, mas não, ela preservou-se ao longo dos séculos em sua essência por ser firmada em bases muito sólidas. Nem padres, bispos, leigos e papas podem muda-la nesse sentido. Ela é UMA CONTINUIDADE histórica de uma realidade Sobrenatural que é a Ressurreição de Jesus, mas os não católicos que a enxergam como uma instituição humana não conseguem ver isto. Qualquer coisa vinda de um não católico sobre a Igreja Católica é quase sempre errada.

Comentário 3

Os católicos tem uma expressão para taxar os católicos fáceis de tolerar aos mundanismos de diversas formas em nome de uma falsa paz, a paz mundana, a paz que tolera o mal, são os CATÓLICOS JUJUBAS. Jujubas são doces tipo bala, extremamente açucaradas, pró-cáries, e infantis, exatamente como os católicos jujubas os são para a Igreja: adoçados, causam cáries na fé, e não amadurecem espiritualmente. São doces por fora, mas causa indigestão a Sã Doutrina porquê têm medo de ofender e agredir o mundo com a Verdade.

Comentário 4

O avanço da mídia secularista, laica e beligerante amedronta aqueles que não querem e até não podem opinar por vários motivos. Então essa mídia intimida grande parte daqueles que veem, ouvem e leem. Como se não bastasse, essa mídia secularista está dotada de ideologias e doutrinas sociais como laicismo, imparcialidade, padronização da linguagem e importação de conceitos alheios à piedade popular. Isto quer dizer que grupelhos que dominem a mídia dominam também a discussão, mas o debate caminhará para o que eles querem ainda que travestido de uma livre expressão das ideias. Se houver discordância dessa opinião, aqueles que enfrentam a mídia serão taxados de diversas maneiras. A esta opinião preconcebida pela elite intelectual é chamada de Politicamente Correto.

Por: Thiarles Soares