Psicólogos Católicos da Arquidiocese do Rio realizam atendimento gratuito no período da pandemia

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Ansiedade, medo da morte e dificuldade nos relacionamentos são alguns dos principais motivos do aumento de atendimentos psicológicos durante os três meses de isolamento social. Para atenuar a dramática situação, o Grupo de Psicólogos Católicos da Arquidiocese do Rio (GPC ArqRio) iniciou no mês passado um serviço gratuito de Atendimento Online.

“Estão sendo atendidas muitas pessoas com depressão leve e síndrome do pânico. Nosso foco é servir as pessoas afetadas emocionalmente em decorrência do confinamento. Há muitas pessoas sofrendo, com medo da morte”, disse uma das coordenadoras do GPC ArqRio, Sonia Nascimento.

A ideia surgiu no dia 19 de Abril, Festa da Divina Misericórdia, e o primeiro grupo de voluntários começou a atender no dia 4 de maio. Até o momento mais de 900 pessoas solicitaram atendimento.

“Há muito tempo a gente já sentia uma inquietude, um desejo de fazer algo a mais, e a pandemia veio de encontro a esse desejo. Nosso maior salário, como diz a Palavra Sagrada não está na terra, mas no Céu, é isso que nos mobiliza”, disse a psicóloga.

Além do atendimento de psicoterapia também está sendo feito a ‘Escuta Acolhedora’. “Criamos esse trabalho também porque percebemos que tem pessoas que só precisam falar. Identificamos muitos idosos que estão com medo e só querem ser ouvidos”, revelou.

“Um idoso nos procurou porque a esposa dele não consegue ouvi-lo sem dizer que ele está errado. Antes do isolamento ele só conseguia desabafar com o porteiro do prédio. Silenciar é uma arte. O silencio também é escuta e é essencial acolher”, pontuou.

O atendimento psicológico é feito por ligação em vídeo por até 50 minutos, já a escuta acolhedora pode ser só com áudio por em média 30 minutos. São sessões semanais e dependendo do progresso podem passar para quinzenais. Durante o atendimento o profissional vai discernir também se o paciente precisa de ajuda psiquiátrica.

“Nós temos um psiquiatra para dar um suporte. Quando um psicólogo identifica que o paciente está em crise, a coordenação busca uma avaliação médica”.

Nesse período de isolamento social, também foi identificado um número muito grande de casais precisando de aconselhamento. “Muitas mulheres nos procuram dizendo que estão brigando muito com o marido. Briga conjugal é um tipo de atendimento peculiar que só deve ser feito por especialistas em atendimento de casal. Psicólogo nenhum pode aconselhar, é necessário orientar que eles busquem uma psicoterapia de casal”, ensinou.

A Messe é grande e os operários são poucos

O grupo de psicólogos católicos é formado por cerca de 200 pessoas mas apenas 26  puderam se voluntariar.

“A messe é grande, mas os operários são poucos. Diante do pequeno número de voluntários, nós pensamos como iríamos dar conta de atender tantas pessoas que estão sofrendo, mas não paramos na primeira ‘pedra no caminho’. Convidamos outros psicólogos, também católicos, que não faziam parte do grupo e todos disseram sim”, disse Sonia, que também é professora de psicologia.

A aparente “notícia ruim” da pouca quantidade de profissionais para servir, fez com que o trabalho se ampliasse para fora das fronteiras do grupo e após um mês o número de voluntários dobrou. Vários psicólogos com vida paroquial ativa não conheciam o grupo da Arquidiocese e após o período da pandemia do Covid-19 terão a oportunidade de fazer parte.

“A nossa esperança está em Deus, não podemos desistir no primeiro obstáculo. Se o que trazemos é genuíno, é amor, precisamos fazer de tudo, perseverar na fé. Provações vão existir sempre, Jesus não prometeu que seria fácil, precisamos nos inspirar na Palavra Sagrada que diz ‘tudo posso n’Aquele que me fortalece’. Tudo o que fazemos com amor dá certo”.

Sonia destacou que os pacientes católicos se sentem mais à vontade para partilhar suas dificuldades com psicólogos que entendem a fé da mesma maneira que eles. “Muitos pacientes me dizem: ‘com um psicólogo católico eu vou poder falar de Jesus”. Isso é muito bom e precisamos zelar por isso”, destacou.

A psicóloga reforçou que é importante que os pacientes tenham liberdade e opção de escolher o profissional que se identificam. Especialmente em relação à maneira de ver a vida e a família, ter ou não ter fé pode influenciar direta ou indiretamente um atendimento psicológico.

“Deus deu seu filho para morrer por nós, para nos salvar. É isso que nos movimenta. Precisamos olhar mais para o Céu, ter gratidão. Agradecer inclusive nas dificuldades, porque elas nos tornam mais fortes”, concluiu.

O Grupo de Psicólogos Católicos da Arquidiocese do Rio existe desde 2003. Atualmente, o coordenador geral e diretor espiritual do GPC ArqRio é o bispo auxiliar do Rio, Dom Antonio Augusto Dias Duarte. Além da Sonia, o trabalho também é coordenado por Patricia Damiana e Sebastião Ferreira.

Os interessados em participar como voluntários ou que desejam receber atendimento podem entrar em contato pelo email: psicologoscató[email protected].

Por: Cláudia Brito de Albuquerque e Sá – ACI