Quênia: Bispos católicos rejeitam iniciativa para implementar “educação sexual integral” e aborto

Pró-família

Os bispos do Quênia expressaram forte oposição às tentativas de implementar a Educação Sexual Integral (CSE) nas escolas com o argumento de controlar a gravidez na adolescência, bem como a lei do aborto apresentada no Senado.

“Somos totalmente opostos àqueles que tentam introduzir a Educação Sexual Integral nas escolas como forma de conter a gravidez na adolescência”, disseram os bispos em comunicado lido no final da Missa televisionada no domingo, 21 de junho.

Além disso, aproveitaram para denunciar os inúmeros riscos a que as crianças estão expostas em meio às restrições da COVID-19, como violência doméstica, abuso de álcool e substâncias, contaminação e falta de necessidades básicas devido a “suas vulnerabilidades relacionadas à idade”.

“Os valores familiares sólidos e a responsabilidade pessoal na educação e proteção das crianças podem ajudar bastante a erradicar ou reduzir significativamente a exploração sexual infantil e as gravidezes de adolescentes resultantes que dispersam os objetivos de vida de nossos queridos filhos”, indicaram em seu comunicado lido por Dom Joseph Mbatia, na Basílica Menor da Sagrada Família, em Nairóbi.

A proteção das crianças é “responsabilidade de todos”, assinalam os bispos, e exortam os pais, tutores e cuidadores a “priorizar o bem-estar e a segurança de seus filhos, inclusive enquanto realizam suas atividades diárias em busca de renda” para o sustento da família.

“Os pais têm o privilégio e a obrigação que Deus lhes deu de dar a vida e de nutrir todas as vidas que trazem, especialmente em assuntos de virtudes, valores e desenvolvimento de caráter, incluindo a educação na sexualidade humana apropriada para cada idade”, disse Dom Mbatia, que também é presidente da Comissão Católica de Saúde da Conferência dos Bispos Católicos do Quênia (KCCB).

“Ninguém mais pode cuidar e ensinar seus filhos sobre assuntos da vida melhor do que você”, disse.

Os bispos expressaram a sua oposição à CSE depois que uma pesquisa do Sistema de Informação sobre Saúde do Quênia foi divulgada mostrando que 152.829 adolescentes, com idades entre 10 e 19 anos, engravidaram em um período de quatro meses, período em que as escolas fecharam devido à pandemia de COVID-19.

Um grupo de quenianos, incluindo o professor George Magoha, secretário do Gabinete de Educação, questionou a autenticidade das estatísticas, chamando-a de uma campanha clandestina para justificar a introdução da CSE.

“Eu questiono a taxa de gravidez porque está manipulada. Quem está dando esses números? As ONGs por trás da educação sexual estão pressionando com esses números?”, disse ao jornal Standard do Quênia.

Os bispos renovaram sua oposição à CSE em uma campanha online que visa coletar pelo menos 10 mil assinaturas.

“Também nos opomos à lei sobre o aborto do Senado”, assinalaram os bispos em seu comunicado, referindo-se à lei de saúde reprodutiva de 2019.

O projeto de lei defende o “aborto seguro, legal e acessível”, serviços de “planejamento familiar” para os adolescentes, barriga de aluguel, bebês de proveta, assim como o CSE, temas que destacaram durante a controversa Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (ICPD25).

Os bispos também enviaram suas condolências às famílias que perderam seus entes queridos devido ao coronavírus e exortaram o governo a “apoiar as famílias afetadas a enterrar com dignidade seus entes queridos que sucumbiram à COVID-19″.

O Quênia confirmou pelo menos 4.738 casos de COVID-19, 1.607 recuperações e 123 mortes relacionadas.

“Há quem, infelizmente, seja infectado ou afetado pela doença. Não devemos estigmatizá-los; todos nós precisamos uns dos outros”, assinalaram os bispos.

Finalmente, exortaram todos a serem caritativos “com esses irmãos e irmãs infectados ou afetados, que recentemente se recuperaram e receberam alta dos hospitais”.

Publicado originalmente em ACI África. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.