Reinado Social de Jesus Cristo e a Apoteose do Anticristo: Uma reflexão sobre as diferenças

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Neste artigo trataremos de alguns aspectos fundamentais da fundamentação do Reino de Deus sobre o parâmetro da Realeza de Cristo e sua usurpação pela figura do anticristo. Não haverá reino do anticristo, o máximo alcançável é a suprema tirania do poder vinda de baixo para o precipício. Veja:

Há uma diferença entre Reino de Deus e Reinado Social de Jesus Cristo que devemos aplicar; o primeiro é a Plenitude da Vida Divina na Criação, Deus em tudo e todos em Deus, o segundo é a presença desse Reino em aspectos da vida em comunidade e sociedade (sociedade, justiça, cultura, intelectualidade, etc), uma presença espiritual e transcendental na temporalidade com sua forma eficaz de Presença Divina. Jesus encarnou, o seu Reino é Espiritual, mas manifesta visível aquilo que é invisível.

A Apoteose do Anticristo é o corpo material e simbólico contrário ao Reinado Social de jesus Cristo e ao próprio Reino de Deus como um todo por consequência. Este corpo material se identifica com as aplicações cabidas ao Reino Social de Cristo, mas sem o Cristo e por isso mesmo, contra ele. Com isto o “reino do anticristo” converte-se numa tirania.

O primeiro fundamento do Reinado Social de Jesus Cristo é este: Jesus é Rei, Ele é rei porque nos resgatou. A humanidade estava em cativeiro pelo diabo. Como o homem rebelou-se contra Deus em sua liberdade, em sua escravidão caiu nas mãos do inimigo, pois sendo o diabo mais forte que o homem decaído espiritualmente, a lei da força imperou sobre as relações humanas. A essência demoníaca é anárquica e tirânica, também as relações humanas se tornaram anárquicas e tirânicas. Mas Jesus veio inaugurar um novo reino, não anárquico (Dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus), e nem tirânico, o seu Reino não é imposto, mas POSTO sobre o mundo como semente plantada. Como Cristo resgatou o homem da tirania do pecado, da morte e do diabo ao entregar sua vida para o sacrifício de expiação para o Pai Criador, Ele recuperou o que era seu por direito, o Trono sobre a Criação e como Juiz dos Homens. Quando Jesus diz: Meu Reino não é deste mundo, quer dizer exatamente isto; Ele não vem governar conforme a ordem vigente do maligno, mas na única e verdadeira Ordem de Cristo fundamento da Criação e Sustento da Realidade. Não se trata de uma abstração espiritual, Jesus veio de Corpo e Alma e Divindade para estabelecer um Reino que também possui Corpo, Alma e a Sua Divindade.

Quem é o Anticristo e o que ele representa, afinal? É dito que o anticristo é aquele que se opõe ao projeto de Cristo, antes saber o que é o Projeto de Deus. O Projeto é Salvar o homem inteiro, submeter tudo e todos a Jesus Cristo, construir Novos Céus e Nova Terra, onde não haverá nem tristeza, nem dor e nem morte.  Se o anticristo se opõe a isto é óbvio que ele defende o contrário, não por palavras, mas por consequência, isto significa que o anticristo atacará a religião de Cristo, “não será necessário esperar o juízo final para que justiça seja feita”, dirá ele, “nós faremos o nosso julgamento e construiremos nós mesmo os novos céus e nova terra”, portanto, “não precisamos esperar um deus descer a Terra para salvar os homens, nós mesmos nos salvaremos subindo ao céu”, articulará. Mas este ‘céu’ do anticristo será as soluções mundanas que dará por consolo aos homens, subjugando nações sobre castigo ou clemência, a depender da obediência a nova ordem imposta sobre os povos.

De certo que no ‘reino’ do anticristo não haverá espaço para o espiritual, não aquele verdadeira de ordem transcendente e cristã, mas no máximo imanentista para baixo. A humanidade usufruirá de toda sorte de benesses materialistas, mas sofrerá com grande fome espiritual. O império do anticristo ruirá porque os homens descobrirão que não só de pão vive o homem, será nessa hora que novamente os homens voltarão seu olhar para a Igreja porque ela tem a oferecer a Verdade, ela é Porta Voz dos Céus e de Cristo para satisfazer plenamente os corações humanos. Claro que este reino do anticristo é ideológico, não me refiro aqui de uma pessoa em si, mas de todo um fenômeno do drama humano. A ideologia é o homem glorificar a si mesmo como aquele que pode resolver os problemas da alma humana; Ao invés de buscar o Céu, o homem volta-se para a terra.

A história do homem que busca o céu seja espiritualmente, seja materialmente é um drama cuja origem remete ao surgimento do pecado. Uma vez que o homem decaiu em sua natureza, ele sempre busca uma maneira de recuperar a ‘glória’ original próxima a Deus em sua intimidade, consciente ou inconscientemente. Um exemplo disso é a Torre de Babel; os homens sendo um só povo uniram-se para construir uma torre que chegasse ao céu, para encontrar e amar Deus? Não, para ser autossuficiente, isto é o princípio do anticristo. Se pela iniciativa humana o homem perdeu sua dignidade pelo pecado, agora com sua iniciativa quer recuperar o sagrado pela própria força. Mas Deus desce e “arruína” o plano dos homens. De modo sempre novo essa história se repete com novos atores, novos cenários, novas lutas, mas o mesmo objetivo; alcançar o Céu, para isto cria religiões, doutrinas, filosofias, costumes, ciências, artes e estados. Em suma o anticristo é o desejo do coração humano que anseia por Deus sem admiti-lo realmente aproveitando-se da sede de morada eterna e felicidade plena que Ele pode conceder.

Ao invés do homem subir a Deus, é Deus quem desce aos homens. Ao invés dos homens alcança-lo, é Ele quem se faz alcançar para alcançar o coração humano. Ao invés do homem se tornar Deus, é Deus quem se faz homem e assim conquistando para o homem uma dignidade superior a original. Ao invés do homem conquistar a glória pela própria virtude, é Deus quem confere a Graça e essa é eficaz para tornar o homem superior a natureza original. Porém, a apoteose do anticristo de alguma maneira convence o mundo de um estágio de iluminação superior ou equiparável àquela das origens místicas do homem – é óbvio que o materialismo científico não preenche essa mística – como uma nova revelação ao homem que sede a vãs doutrinas. Uma falsa luz messiânica que seduz os ávidos por seguir seus caprichos.

O julgamento é este: A Luz veio ao mundo, mas o mundo a rejeitou, preferiu as trevas. Ora essas trevas são as falsas luzes acesas ao longo da história pela rebeldia humana e encabeçada por este anticristo que rejeita o Cristo e Combate-o. São luzes gnósticas, materialistas, naturalistas, panteístas. No fim se trata de uma rebeldia do homem que não quer amar a Deus e ao próximo, a recusa obstinada e cega para viver uma vida desregrada e caprichosa sem que haja um murmúrio do Espírito Santo acusando-lhe a maldade de seus pensamentos e a necessidade da graça e humildade às suas consciências a fim de seguir suas ideias até o fim no pecado, solidão e morte. O fim desse homem rebelde é a solidão que abraçara, o homem morre só quando não quer ser guiado por Deus. Mas eis que a conversão de um só homem é a salvação do mundo inteiro, e a perdição de um é o abandono pelo próprio de sua vida escondida em Jesus, sua morte é um eterno não a vida de si mesmo.

Jesus é o Deus que se fez Homem e plantou uma nova árvore, não é a árvore da ciência do bem e do mal, mas a Árvore da Redenção, a Cruz. Esta árvore também é a Igreja, mãe e mestra, cujos ramos devem alcançar o mundo inteiro para que todos os povos façam seus ninhos nela. Toda a humanidade será reunida pela Igreja, não é uma nova Babel em que Deus vêm derrubar, é o próprio Deus quem a ergue até Ele, Ele constrói sobre o Corpo de Cristo, Cristo Cabeça e Cristo Total. Jesus Cristo é a Escada por onde os anjos descem e os homens sobem, por isso Ele é Rei e Rei do Universo. Portanto, entreguemos nossas necessidades espirituais, materiais e sociais a Jesus, entreguemos a Ele o Reinado sobre nossa sociedade, única solução para o mundo em crise de hoje.

Viva Cristo Rei, Salve Maria Imaculada!

Por: Thiarles Sosi