Sacerdote de quase 100 anos conta como conheceu São Maximiliano Kolbe

Igreja

Um sacerdote franciscano polonês, que completará cem anos em 7 de setembro, contou recentemente como conheceu São Maximiliano Kolbe, o qual deu sua vida para salvar outra pessoa no campo de concentração de Auschwitz e cuja festa foi celebrada na quarta-feira, 14 de agosto.

O nome do presbítero é Lucjan Krolikowski. Ele nasceu em 1919, um ano após a ordenação sacerdotal de São Maximiliano Kolbe e um ano antes do nascimento do Papa São João Paulo II, o qual também conheceu em vida.

Estudou no mesmo seminário que São Maximiliano Kolbe na Polônia, mas teve que adiar seu caminho para o sacerdócio quando a Segunda Guerra Mundial estourou. Foi preso pelos soviéticos na época em que São Maximiliano foi capturado pelos nazistas.

“Passei três anos com ele antes de ser preso pelos comunistas do leste e ser enviado para um campo de concentração na Sibéria”, recordou Pe. Lucjan em entrevista a ‘National Catholic Register’.

Por três anos estudou para ser missionário junto com outros 700 frades e 130 seminaristas no seminário menor de Niepokalanow (em polonês “Cidade da Imaculada”), localizado perto de Varsóvia (Polônia).

Lucjan fez seus primeiros votos temporários apenas três dias antes do início da guerra na Polônia e 10 dias antes de seu 20º aniversário. Maximiliano Kolbe esteve presente naquele dia.

Quando o jovem seminarista Lucjan foi preso, sem motivo para a sua detenção, foi enviado para um campo de concentração de trabalho aos pés do Himalaia.

“Quando Hitler invadiu a Rússia, a Rússia ficou com tanto medo que libertou aqueles que poderiam servir no exército”, lembrou Pe. Lucjan.

Como seus votos temporários tinham expirado – até então estava isento do serviço militar –Pe. Lucjan contou que foi enviado do campo “para a escola militar de artilharia, muito perto da fronteira com a China, muito longe da frente”. Lá, serviu no exército polonês até que, algum tempo depois, foi enviado para a Pérsia e Iraque, onde curiosamente conseguiu regressar ao seminário.

“Quando chegamos perto de Bagdá, pedi para estar no seminário, o seminário franciscano”, recordou. Naquela época, o presbítero conta que precisavam de sacerdotes para o Exército de Libertação da Polônia, o qual procurava homens que já tivessem alguns de seus estudos concluídos.

“Fui retirado do exército e me enviaram para Beirute, no Líbano. Fiquei quatro anos em Beirute e fui educado pelos jesuítas franceses. Fui ordenado em Beirute como frade franciscano conventual”, explicou.

Sobre Maximiliano Kolbe, o sacerdote contou que o futuro santo “amava a pobreza” e que “era humilde, muito humilde e um bom organizador”. Um exemplo disso foi que São Maximiliano construiu o mosteiro Niepokalanow na Polônia e depois outro mosteiro como este no Japão.

Depois de sua ordenação em 1946, Pe. Lucjan foi nomeado capelão de um enorme hospital militar na África Oriental, que também abrigava órfãos de guerra poloneses.

“Fui enviado para lá e fiquei alguns anos aos pés do Kilimanjaro (uma montanha localizada no nordeste da Tanzânia). Os comunistas poloneses os perseguiram, não tinham controle sobre os campos e insistiram que as crianças fossem enviadas para a Polônia, mas nós recusamos. Todo o campo se recusou a ter contato com os comunistas porque fomos presos por eles no começo da guerra”, disse.

O padre, junto com dois homens e uma mulher que o ajudavam, e suas quase 160 crianças órfãs, tiveram que fugir dos comunistas porque os campos de refugiados estavam sendo fechados em 1949. Depois de uma longa travessia que os levou pela Itália e Alemanha, eles finalmente chegaram a Montreal, no Canadá, onde receberam a ajuda do Arcebispo Joseph Charbonneau.

“A população e a hierarquia francesas cuidaram deles. Tivemos benfeitores que nos deram roupas, um médico que fez exames sem nenhum custo. O Cardeal Paul-Émile Léger, de Montreal, foi nosso protetor”, revelou.

Pe. Lucjan conta que em 1975 os órfãos foram visitados pelo Cardeal Karol Wojtyla (o futuro Papa João Paulo II), que os encorajou. Ele também detalha que viu o santo polonês em outras ocasiões, como testemunha uma foto de 1972. E, em 1978, encontrou-se em audiência privada com o Pontífice.

Depois que as crianças se estabeleceram no Canadá, foi nomeado pároco da Igreja de Nossa Senhora de Czestochowa, em Montreal. Em 1966, mudou-se para Athol Springs, Nova York, para trabalhar no Father Justin Rosary Hour, o mais antigo programa de rádio católico em língua polonesa.

O presbítero trabalhou 34 anos escrevendo as transmissões e preparando a maioria dos discursos do programa que era transmitido para os poloneses em todo o Canadá e Estados Unidos, incluindo refugiados poloneses após os anos de guerra.

Pe. Lucjan continuou seu ministério ativo na Basílica de Santo Estanislau, em Chicopee, Massachusetts, onde, até os 90 anos, celebrava Missa, pregava e atendia confissões.

Atualmente, o sacerdote aguarda a celebração dos seus 100 anos na Basílica de Santo Estanislau, em 7 de setembro. Ainda concelebra a Missa e mantém contato com os órfãos que ainda estão vivos.

Quando perguntado sobre como ele se sentia por ter conhecido dois santos, disse: “Sou obrigado! Obrigado a ser bom como eles agora!”.

ACI