Sobrevivente da perseguição religiosa chinesa evangeliza imigrantes na Austrália

Igreja

Teresa Liu, uma mulher católica de 86 anos de idade procedente da China, compartilha um notável testemunho de Fé em Sidney, Austrália, onde trabalha para levar a conversão a outros imigrantes. Sua vida, marcada pela perseguição religiosa chinesa, é um exemplo para os fiéis locais que podem praticar abertamente sua Fé.

Em 1957, Liu foi presa em Guangzhou, China, pelo insólito crime de pertencer à Legião de Maria, uma instituição descrita pelas autoridades comunistas chinesas como uma forma de espionagem ou uma infiltração cultural estrangeira. Sua devoção mariana lhe resultou ficar na prisão até 1977, sem ter passado por um juízo justo e padecendo maus tratos em sete meses de confinamento em uma solitária.

“Podia rezar o Rosário somente depois de me deitar na cama, em segredo”, recordou a sobrevivente em diálogo com Catholic News Service. “Me sentia muito próxima de Deus nesse momento porque em meu coração dizia: ‘Jesus, agora não tenho nada mais que tu. Não deixes que eu te deixe'”. Após esse intenso sofrimento, Liu abandonou a China junto de seu esposo, John Bosco Liu, em 1980. Ele também padeceu 22 anos de prisão por sua fidelidade à Igreja Católica.

Já na liberdade do território australiano, Liu se dedicou ao que mais tinha desejado fazer em sua pátria: durante décadas, trabalhou como catequista, levando a Fé Católica a outros imigrantes chineses que não puderam conhecê-la em sua terra natal pelas severas restrições à liberdade religiosa. “Ela apoia muito todas as iniciativas na Paróquia, especialmente o trabalho de evangelização com pessoas da China que estão pensando em converter-se em cristãs”, comentou o Padre Janusz Bieniek, pároco da Paróquia de São Miguel em Hurtsville, Sidney. “Ela os reúne, fala com eles, pessoalmente mantêm contato com eles e os alenta”.

Liu afirma estar agradecida por uma longa vida, que lhe permitiu compartilhar “a história de muitas pessoas na China”. Para ela, a limitação à liberdade religiosa é um tema de maior atualidade. “Orem pela China. A situação na China agora de alguma maneira é pior do que foi para nós. Querem destruir todas as religiões”, afirmou.

Em novembro de 2018, em reconhecimento à sua entrega a este apostolado e seu notável testemunho de Fé, Liu foi honrada como Dama da Ordem Equestre de São Gregório Magno, a honra mais alta que a Igreja outorga aos leigos. A nomeação destacou seu “compromisso excepcional com a Fé”, a qual se provou “através de seu alcance cristão e a conversão de muitas pessoas na Arquidiocese de Sydney”.

Fonte: Gaudium