Thiago Salomão: Padre Robson e o erro do Católico contemporâneo.

Artigos/Opinião

Sentar-me-ia ao lado do Padre Robson, e o defenderia com todo meu saber das acusações a ele imputadas. Máxime pelo Princípio da Presunção de Inocência, que é desprezado ao bel prazer de muitos. 

É um infortúnio comum dos os meios de comunicação, que seguindo seus interesses, façam acusações, defendam, condenem ou absolvam, levianamente. Por vezes, transformam um criminoso em um inocente injustiçado; ou, transforam um inocente em um criminoso vil.

Ainda em nossa memória o caso da Escola Base, no bairro Aclimação, em São Paulo (1994), onde as condenações dos acusados não vieram pelo Judiciário e sim pela Imprensa, pelo sensacionalismo, causando furor na população, arruinando a vida dos proprietários da escola, que eram inocentes. 

Nestas terríveis situações, a esperança do acusado, é depositada integralmente no trabalho do Advogado, que é indispensável ao exercício da Justiça e o único que pode dar voz àqueles que não tem nenhuma. 

Somos seres humanos, portanto, falíveis. A Defesa técnica tem o escopo de salvaguardar um possível inocente, de um eventual erro na aplicação da lei.

O advogado é o último bastião ou égide da liberdade do indivíduo, que inobstante seus defeitos, merece pagar somente por aquilo que fez, na proporção do crime cometido. 

Os escândalos midiáticos e excesso de exposição dos acusados (ainda durante o calor dos fatos), acaba causando grandes danos à imagem de familiares, que nada tem a ver com a situação; ou até mesmos dos próprios acusados, impedindo a prática do tal princípio da presunção de inocência. 

Há inúmeros casos de erros grotescos do judiciário, o mais famoso: O caso dos irmãos Naves (1937). Recentemente (Julho/2020), Um jovem inocentado, ficou preso injustamente em João Pessoa – PB, por 07 (sete) anos.

E a consciência do advogado como ser humano? E se o acusado for culpado? É necessário para alcançar o mínimo de justiça, que seja aplicado a escorreita medida da lei, proporcional ao erro cometido.

A dom do advogado criminalista é saber que não pode dar razão à multidão, pois ela nunca irá aplaudir seu trabalho.  

Tem-se o dever de lutar contra o pensamento comum. Devemos colocar-nos entre a multidão e o acusado (inobstante os defeitos destes). Para isso é necessário raciocinar e combater esta multidão enfurecida e cruel, que clama por Sangue e uma “pseudo-Justiça” que na verdade é tão sanguinária e fria, quanto o crime cometido pelo réu acusado (que pode ser inocente).

“39. Não te comportes como esses que se assustam perante um inimigo que só tem a força da sua ‘voz agressiva’.”. (São Josemaria Escrivá, sulco, pag. 34).

Melífluo perceber, que também é essa a missão do Católico neste mundo: nadar contra a corrente, não ceder ao mundo, e não ser aplaudido por sepulcros caiados. 

Como diz o adágio: Se não cruzares com o diabo é porque está no mesmo caminho que ele.

Acompanhei algumas notícias sobre o caso do Padre Robson, inclusive sua “autodefesa”. Me escanchou o coração ouvi-lo dizer que ele está acostumado a carregar Cruzes em função da sua posição.

De fato, uma obra do tamanho da AFIPE, pela sua abrangência, por ser tão bela, em igual proporção incomoda e é perseguida. 

O caso me fez refletir sobre meu pároco e diretor espiritual. Quantos espinhos ou pedras não deve pisar descalço, em silêncio, para poder realizar sua função. 

Sabemos que todos aqueles que encabeçam uma obra que leve Deus às pessoas, são provadas e constantemente atacadas (por vezes injustamente). Brilha a beleza do Sacerdócio, sacrificando-se para um bem maior. “O padre não é padre para si mesmo: ele não dá a absolvição para si; ele não administra em si os sacramentos. Ele não existe para si mesmo, ele existe para vocês”. (Santo Cura de Ars, Catequeses, pag. 49).

Os Apóstolos e os mártires também foram perseguidos e mortos. Perseguições são comuns, até mesmo os Santos foram perseguidos, à exemplo de São Padre Pio, que foi acusado de se auto infligir os estigmas. 

Há anos estudo para ingressar no Ministério Público e entendo seu papel. O que foi vociferado pelos meios de comunicação não é exatamente o que de fato está acontecendo no processo.

É natural que no início do processo tenhamos somente a hipótese do Parquet. Entretanto, é apenas um lado dos argumentos. É cognoscível que haverá uma conclusão falsa, se partirmos da hipótese à conclusão final, sem confrontar essas hipóteses. É necessário o devido processo legal antes de condenar alguém.

Além da funesta situação, as reações dos Católicos que cederam em defender a Santa Igreja com medo de desagradar é revoltante. Inúmeros comentários que se limitavam ao: “se for culpado tem que pagar”. 

Assim como Pedro que negou Cristo (Lc 22, 55-62), com medo de também ser crucificado. Portam-se como víboras e negam o Credo que professam. 

Enquanto a mídia vociferava sensacionalismos em ataques incessantes à Santa Igreja Católica, o povo acovardado bate palma para o circo que estavam armando, desnorteados como baratas. “(…) Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te.”. (Apocalipse 3, 15-16. Bíblia Ave Maria, pag. 1559).

Implorando uma falsa aceitação, chegaram a condenar ele primeiro que a própria Justiça. Os primeiros a tergiversarem com medo da rejeição ou perseguição, estão vendendo a própria alma em troca de uma “vaga” em uma turba de escarnecedores. 

“(…) A Igreja é santa, mesmo tendo pecadores em seu seio, pois não possui outra vida senão a da graça: é vivendo de sua vida que seus membros se santificam; subtraindo-se à sua vida, dela que caem pecados e nas desordens que impedem a irradiação da santidade dela. É isso que ela sofre e faz penitência por essas faltas das quais, tem o poder de curar seus filhos, pelo sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo.”. Catecismo da Igreja Católica, n.º: 827.

Como diz nosso Catecismo, a Igreja tem pecadores, mas é Santa porque não tem outra vida senão a da graça, e é vivendo nesta vida de graça, que seus membros se santificam; saindo desta única vida, eles se perdem. (Padre Paulo Ricardo – Como entender que a Igreja não erra? Parte: I). 

O amor de nossa geração está esfriando, estamos perdendo a empatia e não conseguimos amar o próximo, nem quando inocente. Ao pecador viramos as costas sem qualquer caridade. 

As reportagens não somente atacaram a pessoa do Robson, enquanto administrador, mas também ao Sacerdote Robson. Até mesmo a estrutura dos dormitórios da igreja onde ele administrava, foi questionada. Escandalizaram-se do valor da obra do belíssimo Santuário que estão construindo em honra ao Divino Pai Eterno.

Isso é um escárnio e um absurdo. O católico tem que objetar este tipo de comportamento. Só a Igreja tem autoridade para julgar se o valor da obra ou qualidade dos dormitórios é conveniente e adequado. 

Como passar dos anos, perde-se o costume de rezar pelos sacerdotes, e o medo do “Respeito Humano”, é intransponível pela nossa fé fraca. 

“34. Quando está em jogo a defesa da verdade, como se pode desejar não desagradar a Deus e, ao mesmo tempo, não chocar com o ambiente? São coisas antagônicas: ou uma ou outra! É necessário que o sacrifício seja holocausto: é preciso queimar tudo…, até o “que vão dizer”, até isso a que chama reputação”. São Josemaria Escrivá, Sulco, pag. 32.

A Igreja construída por Cristo sobre Pedro, foi regada pelo Sangue dos Mártires e sob luz dos Santos e Fiéis devotos. As desgraças não prevalecerão sobre elas, pois temos a promessa do próprio Cristo.

Inobstante aos erros e aos acertos do Padre Robson, o lindíssimo trabalho da AFIPE, pela devoção ao Divino Pai Eterno transcende a sua pessoa. Mantem-se em pé nos corações dos fieis pelas suas bases firmes.

Rezemos pela santificação do nosso clero. Ao julgamento de Nosso Senhor, ninguém escapará. Somos falíveis, mas até provado o contrário, a balburdia e vociferação da mídia me são inócuas.

Se condenado, que Deus envie outro Sacerdote para continuar a linda e essencial obra da AFIPE. Em nada abalará minha fé ou obediência à Mãe Igreja, pois falível e pecador, eu também o sou.

Graças ao Divino Pai Eterno! Deus abençoe a AFIPE.

POR: THIAGO SALOMÃO